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Sociedade
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Bulgária torna-se hoje o 21.º país do Euro em cenário de crise política

A Bulgária tornou-se hoje, dia 1 de janeiro de 2025, o 21.º país membro da zona euro. A adoção oficial da moeda única representa um "marco histórico" para o país, que aderiu à União Europeia em 2007, mas concretiza-se num momento marcado por instabilidade política interna e contestação popular.

Redação

Até ontem, a zona euro era composta por 20 países. Com esta entrada, a moeda única passa a ser utilizada por 21 Estados-membros, restando apenas seis países da União Europeia (UE) fora da União Monetária: Suécia, Polónia, República Checa, Hungria, Roménia e Dinamarca.

A taxa de conversão oficial foi fixada em 1,95583 lev búlgaro por cada euro.

Para o Banco Central Europeu (BCE), a adesão da Bulgária amplia o mercado interno e envia um sinal de coesão num contexto geopolítico turbulento. Para Sófia, o abandono do lev significa a participação direta nas decisões de política monetária.

"A Bulgária terá uma visão, uma voz, um voto", declarou a presidente do BCE, Christine Lagarde.

Em comunicado, a instituição financeira sublinhou a importância do momento:

"Trata-se de um marco histórico para o país e de uma oportunidade significativa para pessoas e empresas em toda a área do euro. [...] Para a Bulgária, a adoção do euro ajudará a construir uma base mais sólida para o crescimento sustentável e a resiliência a longo prazo".

Instabilidade política e oposição social

A transição monetária ocorre num clima de forte polarização. O país enfrenta uma crise política que dura há vários meses e que se acentuou em meados de dezembro. O Governo, liderado por Rosen Zhelyazkov, tem enfrentado "protestos massivos contra propostas orçamentais controversas e alegações de corrupção", o que desencadeou um novo processo para formar executivo ou convocar eleições antecipadas.

Apesar de a medida ser defendida pelo Governo e por Bruxelas, enfrenta "forte oposição popular e política". Reconhecendo as "dúvidas e preocupações" da população, o BCE prometeu "trabalhar em estreita colaboração" com as autoridades búlgaras.

A erosão da confiança pública nas instituições europeias é agravada por preocupações com "campanhas de desinformação alinhadas com a Rússia", que aprofundam as divisões sociais no país.