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Portugal
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Investigação médica no Porto: Bolsas Nuno Grande distinguem três jovens médicos com 75 mil euros

Três médicos investigadores foram distinguidos com as Bolsas Nuno Grande 2025 para projetos sobre Alzheimer, inflamação cardíaca e doenças reumáticas no Porto.

Redação

A edição de 2025 das Bolsas de Doutoramento Nuno Grande (BDNG) premiou três jovens médicos cujos projetos de investigação prometem avanços significativos no tratamento do Alzheimer, da insuficiência cardíaca e de doenças inflamatórias crónicas. A cerimónia de entrega decorre esta quarta-feira, 13 de maio de 2026, pelas 15h00, no Edifício Abel Salazar, no Porto. Pela primeira vez desde a sua criação, a iniciativa foi alargada a todas as universidades portuguesas, tendo recebido um total de 38 candidaturas.

Promovidas pela Fundação Bial, pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) e pela família de Nuno Grande, as bolsas têm um valor unitário de 25 mil euros. O objetivo passa por apoiar médicos que conciliam a prática clínica com a docência e a investigação de ponta, honrando o legado do fundador do ICBAS.

Alzheimer e inflamação cardíaca sob o microscópio

Entre os distinguidos está Francisco Almeida, médico interno de Neurorradiologia da ULS Santo António e docente do ICBAS. O seu projeto foca-se na deteção precoce da doença de Alzheimer através do estudo do 'locus coeruleus', uma pequena estrutura no tronco cerebral.

Segundo a organização, esta região poderá ser uma das primeiras a sofrer alterações em demências, servindo como um marcador imagiológico crucial. Já o médico Francisco Vasques-Nóvoa, da ULS São João e docente da FMUP, foi premiado por uma investigação que redefine a forma como olhamos para a inflamação no coração. O estudo analisa como respostas curtas e intensas afetam a função cardíaca aguda (como no choque séptico), enquanto inflamações persistentes de baixa intensidade contribuem para a rigidez e fibrose miocárdica.

A ligação entre o intestino e o reumatismo

A terceira bolsa foi atribuída a Daniela Oliveira, médica reumatologista na ULS de Entre Douro e Vouga. O seu trabalho, a ser desenvolvido no i3S, explora a relação entre o intestino e a inflamação articular em doentes com espondilartrites. Trata-se de uma investigação vital para compreender doenças reumáticas crónicas que apresentam frequentemente manifestações extra-articulares.

Um contributo decisivo para a Medicina em Portugal

Criada em 2022, esta bolsa homenageia a figura de Nuno Grande, médico e investigador incontornável na história da medicina portuense. Henrique Cyrne Carvalho, diretor do ICBAS e presidente do júri, sublinha a importância deste apoio:

“As BDNG representam um contributo decisivo na diferenciação da formação de jovens médicos ao incentivar a integração da investigação como parte essencial da sua formação e ao proporcionar também a oportunidade de desenvolver ideias inovadoras.”