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Marco de Canaveses
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Marco: GRUTA CCL assinala meio século com a estreia mundial do espectáculo "Como Ela o Amava"

O GRUTA CCL (Grupo de Teatro de Santo Isidoro e Livração) prepara-se para apresentar na Casa do Povo da Livração, em Marco de Canaveses, "Como Ela o Amava", um texto inédito e inaugural que conta com composições musicais igualmente originais.

Redação

A obra é o resultado de um laboratório criativo contínuo de mais de um ano, orientado pela artista residente Fátima Vale em parceria com o grupo, afirmando-se como uma proposta artística que cruza o teatro antropológico, a poesia e a música.

O projecto destaca-se pelo rigor técnico e pela invenção estética, apresentando em cena as vozes de Alice Boavista, João Luiz Ferraz — que assume também a responsabilidade pela composição musical — e Maria José Ferraz. Segundo a equipa criativa, a encenação procura construir uma "Incomunidade dentro da comunidade", um espaço sem fronteiras onde a universalidade se cruza com o local através de uma combinação de gestos, movimentos genuínos e momentos que alternam entre o hilariante e o comovente.

Uma celebração tripla: Os "Três 50"

A estreia deste espectáculo reveste-se de um simbolismo particular, coincidindo com três marcos significativos no percurso dos seus intervenientes e da própria instituição:

  • Os 50 anos de existência do GRUTA CCL;

  • Os 50 anos de carreira do músico e actor João Luiz Ferraz;

  • Os 50 anos de vida da poeta, actriz e encenadora Fátima Vale.

Este amadurecimento criativo reflecte-se numa peça que investe na autenticidade e na importância do Outro como eixos centrais da narrativa.

Sinopse e Temática: A libertação da mulher

A acção desenrola-se durante a noite de São Bartolomeu, figura mítica conhecida pela oposição ao diabo. O universo da peça integra elementos diversos, desde a luta de paus a traços cinematográficos, estruturando uma "história dentro da história".

Diferenciando-se do conto original, esta versão propõe um "reviralho nuclear": a mulher renasce e liberta-se de todas as forças opressoras. O espectáculo é explicitamente dedicado às mulheres "sem nome e sem rosto", as figuras esquecidas que resistem, cuidam da vida e carregam o fardo das guerras. Como sublinha o texto da criação: “Eu sou o grito das que não podem falar, a minha voz será o rio que as vai despertar.”


Apoios Institucionais

Esta produção de cariz antropológico e social conta com o apoio estratégico do Município de Marco de Canaveses, da CCDR-Norte e da Junta de Freguesia de Santo Isidoro e Livração, reforçando a importância do associativismo cultural na região.