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Portugal
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Nova ponte sobre o Douro terá ciclovia e ligação rodoviária. Estação TGV de Gaia será grande interface de transportes

A futura ponte da alta velocidade entre Porto e Vila Nova de Gaia terá duas faixas rodoviárias, ciclovia e percursos pedonais, enquanto a nova estação subterrânea de Gaia ficará a 60 metros de profundidade e incluirá um interface com metro, táxis, bicicletas e estacionamento para 475 viaturas.

Redação

A nova ponte sobre o rio Douro integrada na linha de alta velocidade Porto-Lisboa terá dois tabuleiros distintos, permitindo a circulação ferroviária no nível superior e o trânsito de automóveis, peões e ciclistas no inferior. O projeto prevê ainda que a futura estação de alta velocidade de Vila Nova de Gaia funcione como um grande interface de transportes, articulando diferentes modos de mobilidade na Área Metropolitana do Porto.

As características da travessia constam da memória descritiva e justificativa do projeto de execução do troço Porto-Oiã da futura linha de alta velocidade, atualmente em consulta pública até 29 de junho. O documento foi elaborado pelo consórcio AVAN Norte, composto pelas empresas Mota-Engil, Serena, Teixeira Duarte, Alves Ribeiro, Casais, Conduril e Gabriel Couto.

Ponte terá automóveis, bicicletas e peões

O tabuleiro superior será reservado à circulação dos comboios de alta velocidade. Já o tabuleiro inferior acolherá duas vias rodoviárias, uma em cada sentido, com 3,25 metros de largura, separadas por um separador central.

Nas laterais da plataforma rodoviária serão instaladas ciclovias com 1,50 metros de largura e passeios pedonais com 2,25 metros. O projeto prevê ainda barreiras de betão para separar os diferentes modos de circulação.

A estrutura ferroviária terá 1.127,7 metros de extensão, enquanto o tabuleiro rodoviário inferior terá cerca de 690 metros. A ponte será suportada por várias torres, incluindo duas estruturas principais em forma de "A" localizadas sobre o rio, com cabos de atirantamento responsáveis pela sustentação do tabuleiro rodoviário.

Fornos de Massarelos serão preservados

Na margem do Porto, a obra prevê a preservação dos fornos e da chaminé da antiga Fábrica de Louça de Massarelos. Os elementos patrimoniais ficarão integrados numa nova rotunda que servirá de acesso à travessia rodoviária, ciclável e pedonal, na zona atualmente ocupada por um posto de combustível na Avenida Gustavo Eiffel.

A ligação ferroviária será integrada no futuro viaduto de Campanhã, prolongando-se até à entrada do túnel que atravessará Gaia, na zona de Gervide.

Estação de Gaia ficará a 60 metros de profundidade

A futura estação de alta velocidade de Gaia será construída a cerca de 60 metros de profundidade. Os passageiros terão acesso às plataformas através de elevadores e escadas rolantes.

A estação terá duas entradas principais: uma junto à rotunda de Santo Ovídio, com ligação à estação de metro homónima, e outra próxima da estação de metro D. João II. O projeto inclui ainda duas grandes claraboias destinadas a permitir a entrada de luz natural.

Apesar da relevância da infraestrutura, o projeto não contempla a criação da praça prevista para Santo Ovídio no respetivo Plano de Pormenor, nem alterações urbanísticas profundas na envolvente da estação. As plantas divulgadas mostram que os percursos pedonais continuarão a obrigar os utilizadores a atravessar arruamentos para aceder a alguns dos acessos.

Torre de quase 70 metros e parque para 475 viaturas

Na zona de D. João II está prevista a construção de um edifício com 68,75 metros de altura, acompanhado por um parque de estacionamento subterrâneo com capacidade para 475 viaturas.

O conjunto integrará aquele que o projeto define como um "grande interface" de mobilidade, reunindo a estação de alta velocidade, metro, táxis, zonas de tomada e largada de passageiros, estacionamento para bicicletas, parque automóvel subterrâneo e um futuro centro de transportes.

A praça de acesso à estação ficará parcialmente elevada em relação às vias envolventes e permitirá a entrada por três pontos distintos: a partir da Avenida da República, da Avenida D. João II e de um novo arruamento localizado na nascente.

Conclusão prevista para 2030

As obras do troço Porto-Oiã deverão arrancar ainda este ano e têm conclusão prevista para 2030. Este segmento integra a primeira parceria público-privada da futura linha de alta velocidade entre Porto e Lisboa.

Quando estiver concluída, a ligação ferroviária permitirá realizar o percurso entre as duas cidades em cerca de uma hora e quinze minutos, com possíveis paragens em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria.

A conclusão integral da linha Porto-Lisboa está prevista para 2032, o mesmo horizonte temporal definido para a ligação de alta velocidade entre Porto e Vigo, que incluirá estações no aeroporto do Porto, Braga, Ponte de Lima e Valença.