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Marco de Canaveses
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Cristina Vieira define prioridades para o novo mandato e traça balanço de oito anos à frente da Câmara do Marco de Canaveses

Reeleita para um terceiro e último mandato, Cristina Vieira traça, nesta entrevista ao Jornal A VERDADE, o balanço de oito anos à frente da Câmara Municipal do Marco de Canaveses e apresenta as principais linhas de ação para o novo ciclo autárquico.

Redação

A autarca destaca a evolução do concelho em áreas como o saneamento, a educação, a economia e o turismo, sublinhando o rigor financeiro e a aposta na sustentabilidade. Entre os projetos prioritários, aponta a criação do Polo de Inovação na antiga Electro-Moagem, o reforço da habitação jovem e a continuidade da modernização urbana e ambiental.

A Verdade: Que balanço faz dos seus dois primeiros mandatos à frente da Câmara Municipal do Marco de Canaveses?

Cristina Vieira: O balanço é profundamente positivo. Foram oito anos de muito trabalho, de decisões difíceis, mas também de conquistas. Em 2017 herdamos um concelho com apenas cerca de 40% de cobertura de água e saneamento e com um processo ruinoso em tribunal que colocou em risco a sustentabilidade financeira da Câmara Municipal. Tínhamos escolas, centros de saúde e outros equipamentos culturais e desportivos degradados; espaços verdes pouco convidativos; uma agenda cultural praticamente inexistente. Hoje temos um concelho completamente diferente, com melhores infraestruturas, muito mais investimento - mais do que duplicamos o orçamento municipal -, mais oportunidades e afirmamos a nossa identidade e a nossa cultura na região e no país. E, acima de tudo, transformamos o concelho com responsabilidade e rigor financeiro.

A Verdade: Há algo que ficou por concretizar e que gostaria de retomar neste novo mandato? Quais são as três principais prioridades para este terceiro e último mandato?

Cristina Vieira: Há projetos estruturantes em curso que quero ver concretizados. O principal é a transformação da antiga Fábrica da Electro-Moagem num polo de inovação, ensino e cultura, que é um projeto estruturante para o futuro do concelho.

Ainda nesse eixo estratégico da economia e emprego, queremos valorizar e ampliar as zonas industriais para atrair mais empresas e investimento. Temos ainda trabalho a fazer nas escolas, principalmente nas EB 2,3 de Toutosa e Marco que queremos requalificar integralmente. E no ambiente, também temos metas ambiciosas e muito claras: 82% de cobertura de saneamento e 86% de água.

A Verdade: De que forma pretende garantir a continuidade dos projetos estruturantes para além do seu mandato?

Cristina Vieira: A nossa gestão nunca foi apenas a do dia-a-dia. Temos o dever de pensar a longo prazo, e é isso que temos feito no Marco de Canaveses. Hoje, o Município tem uma robustez financeira sólida, resultado de uma gestão rigorosa e equilibrada, que nos permite concretizar projetos ambiciosos sem comprometer o futuro.

Sabemos que há projetos que se constroem no tempo, como é o caso da nova ponte sobre o rio Tâmega, uma obra estruturante, pela qual temos lutado junto dos diferentes governos. É uma intervenção que vai levar tempo a concretizar, mas já está a ser preparada e incluída na revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), já em curso - e que é um dos instrumentos centrais deste planeamento de futuro.

Por isso, além de cumprir com os compromissos imediatos, estamos a deixar trabalho feito, financiamento assegurado e parcerias firmadas, para que quem vier depois de nós possa continuar este caminho de progresso e desenvolvimento sustentado.

A Verdade: Que novas medidas estão previstas para reforçar o turismo e investimento no concelho?

Cristina Vieira: Vamos criar o Pólo Arqueológico do Tâmega e Sousa em Tongobriga, aproveitando esse património que nos distingue. Temos também em curso a transformação da Casa dos Arcos no Centro Interpretativo do Vinho Verde. E depois, projetos como a Ecovia do Tâmega, a Pontinha, o alargamento do Parque Liberdade, a criação de novos corredores verdes entre freguesias e a valorização dos Percursos Pedestres são também projetos fundamentais no turismo de natureza. O nosso foco é um turismo de qualidade e não de quantidade, que respeite o ambiente, a paisagem e a identidade que fazem do Marco um concelho único.

A Verdade: Como olha para a vitória do PS e para o panorama geral do concelho?

Cristina Vieira: Esta é já a terceira maioria consecutiva que o Partido Socialista conquista na Câmara Municipal e na Assembleia Municipal, e voltamos também a merecer a confiança da maioria das freguesias do concelho. Esse resultado expressivo não surge por acaso. É resultado de um trabalho sério, consistente e de proximidade com as pessoas. Oito anos depois, os marcuenses continuam a confiar em nós porque reconhecem o caminho percorrido.

Para mim, é motivo de profunda gratidão e orgulho pessoal, mas é também uma enorme responsabilidade, porque significa que os marcuenses acreditam no nosso projeto e esperam que continuemos a trabalhar com o mesmo empenho, transparência e dedicação.

A Verdade: Que projetos de requalificação urbana ou de mobilidade estão planeados para os próximos anos?

Cristina Vieira: Esperamos avançar com o viaduto sobre a EN211, que já tem todos os estudos e projetos aprovados e que aguarda o lançamento a concurso pelo Governo, tal como consta do acordo de gestão que celebrámos com a IP, e vamos continuar a lutar por uma nova ponte sobre o Tâmega. De forma mais imediata, continuaremos a requalificar ruas, passeios e largos em todo o concelho, e vamos reforçar a aposta no transporte ferroviário com a requalificação da envolvente à Estação do Juncal, com a construção do parque de estacionamento na Livração, bem como a requalificação e reorganização do trânsito e estacionamentos junto da estação do Marco. No centro urbano destaco a requalificação da Avenida dos Bombeiros, da rua do Talegre e da Rua Dr. Manuel Vasconcelos e ainda o projeto para requalificar a Avenida Dr. Artur Melo e Castro e toda a zona envolvente ao Estádio Municipal. Estamos também a ultimar os projetos para podermos avançar com a requalificação da Rua da Serrinha e a Av. Francisco Sá Carneiro, em Alpendorada, Várzea e Torrão, bem como da Av. 25 de Abril, na freguesia de Santo Isidoro e Livração e ainda a criação da via ciclável junto da estrada que liga Ramalhais ao Juncal, na freguesia de Soalhães.

A Verdade: O concelho tem desafios na área da habitação e fixação de jovens, que respostas a autarquia pretende dar?

Cristina Vieira: Estamos a construir 128 novas habitações a custos controlados e a lançar o programa Marco Habita Jovem, com rendas acessíveis e incentivos fiscais para jovens que queiram construir casa. É o maior plano de habitação pública de sempre no concelho.

Queremos que os jovens fiquem no Marco, que aqui encontrem trabalho, habitação e qualidade de vida. É esse o caminho para fixar talento e garantir um concelho com futuro.

A Verdade: Que papel terá o município na transição energética e sustentabilidade ambiental?

Cristina Vieira: O Município já tem um papel mais ativo do que nunca na transição energética e na sustentabilidade ambiental.

Posso dar alguns exemplos, além daquele que é mais evidente, que é o investimento em água e saneamento: já substituímos toda a iluminação pública do concelho por tecnologia LED, uma medida que reduzirá o consumo em cerca de 70%. Estamos a modernizar a iluminação dos edifícios e equipamentos municipais. Temos igualmente feito um trabalho muito sólido na gestão de resíduos, com foco agora nos biorresíduos, que representam a maior fatia do que ainda vai para aterro. Na gestão da água, o concelho já é um exemplo nacional pela redução do desperdício ao longo da rede, um trabalho estruturante para garantir sustentabilidade e qualidade de serviço.

A Verdade: Como avalia o atual panorama económico do concelho e o papel da autarquia no apoio às empresas locais?

Cristina Vieira: O Marco vive um momento de consolidação económica. Vamos investir na requalificação da Zona Industrial de Tuías e planear a expansão da Zona Industrial de Moirinte. O Pólo de Empreendedorismo e Inovação da Electro-Moagem será determinante para atrair novas empresas e criar emprego qualificado.

Além disso, continuaremos a apoiar o comércio local com iniciativas como o “Marcoense como Nós”, o Prémio de Inovação MarcoInvest e a Gala do Empresário.

A Verdade: O Marco de Canaveses tem uma identidade cultural forte. Como pensa valorizar o património local e apoiar as associações culturais e desportivas?

Cristina Vieira: De 2018 a 2024 praticamente duplicamos os apoios às associações de 650 mil euros por ano para mais de 1,2 milhões de euros. Vamos continuar a manter esta aposta porque o movimento associativo no Marco de Canaveses merece e porque é um pilar fundamental para o nosso desenvolvimento social, cultural e desportivo.

No desporto, o plano é igualmente ambicioso: um novo Complexo Desportivo Municipal, a requalificação de piscinas e pavilhões, e melhores condições para os clubes locais.

A Verdade: Que medidas estão previstas para promover maior participação dos cidadãos na vida autárquica?

Cristina Vieira: A proximidade é uma marca da nossa governação. Continuaremos a privilegiar o diálogo com freguesias, escolas, associações e empresários, como fizemos até aqui, porque é assim que se constrói um Marco mais participativo e democrático.

A Verdade: Como imagina o Marco de Canaveses no final deste mandato?

Cristina Vieira: Vejo um concelho mais qualificado, mais inclusivo e mais verde. Um concelho finalmente a olhar para o futuro com otimismo sem o bloqueio financeiro e ambiental que o litígio com as águas representou. Um concelho com escolas e centros de saúde modernos, uma cultura viva e uma economia pujante. Queremos deixar um concelho com identidade, mas com a qualidade de vida das melhores cidades do país. Um concelho de referência em toda a região Norte para se viver, investir, trabalhar e visitar. Temos todas as condições para isso.

A Verdade: Já pensou no que fará depois de terminar este ciclo político?

Cristina Vieira: Toda a minha atenção está dedicada ao compromisso com os marcuenses. Servir o Marco de Canaveses é a missão mais nobre da minha vida pública.

O presente é para continuar a trabalhar, com empenho e sentido de responsabilidade, por todos os marcuenses e o futuro pessoal logo se verá.

A Verdade: Que mensagem gostaria de deixar aos munícipes neste início de mandato?

Cristina Vieira: A mensagem mais importante neste momento é de gratidão pela confiança renovada. Contem comigo, como sempre, para servir com verdade, dedicação e amor ao Marco de Canaveses. Continuamos juntos.