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Porto
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Edifício Transparente vai ser parcialmente demolido para ligar Parque da Cidade ao mar

O Edifício Transparente, situado na frente marítima do Porto, vai ser alvo de uma demolição parcial.

Redação

O anúncio foi feito esta terça-feira, dia 7 de abril, pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, que confirmou a existência de um acordo de partilha de custos entre a Câmara Municipal do Porto e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para a execução do projeto.

A intervenção visa a “renaturalização” da Praia Internacional e a eliminação do que é considerado uma barreira visual e arquitetónica. A governante, que falava à margem de uma visita a Caminha, referiu-se ao edifício, construído no âmbito do Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, como um problema herdado de "há algumas décadas".

O acordo agora estabelecido prevê o rebaixamento da estrutura "para bem do ambiente, da paisagem e das pessoas", justificou a ministra.

O que vai mudar no Edifício Transparente?

O presidente da APA, Pimenta Machado, explicou que a agência se encontra a trabalhar com a autarquia portuense para definir os moldes da empreitada. Embora ainda não existam custos detalhados nem prazos fechados para o início das obras, a intervenção deverá seguir as seguintes diretrizes:

  • Demolição parcial: O edifício será cortado até à cota do viaduto (nível da estrada).

  • Manutenção da base: A parte inferior da infraestrutura será preservada para acolher equipamentos de apoio de praia (como escolas de surf, espaços comerciais e esplanadas).

  • Renaturalização: O projeto inclui a colocação de areia e a requalificação da Praia Internacional.

Segundo Pimenta Machado, a obra resolve também um problema de segurança, dado o "estado de degradação muito acentuado" da estrutura, e cria uma oportunidade única para "melhorar a relação entre o Parque da Cidade e a Praia Internacional".

Promessa autárquica e fim de concessão à vista

A demolição do edifício até à cota da estrada vai ao encontro da promessa eleitoral do atual presidente da Câmara do Porto. Pedro Duarte já havia classificado o imóvel como "uma obra sem grande sentido" e uma "barreira inexplicável" entre o maior parque urbano do país e o mar.

As obras deverão avançar após o fim da atual concessão do espaço. Projetado pelo arquiteto catalão Solà-Morales para o Porto 2001, o Edifício Transparente foi concessionado em junho de 2004. O prazo original de 20 anos sofreu prorrogações recentes, estando atualmente estendido até ao ano de 2026.

O destino da estrutura, no entanto, já estava traçado a nível legal. O Programa da Orla Costeira Caminha - Espinho (POC-CE), em vigor desde 2021, já previa a proteção da Praia Internacional e determinava a demolição do Edifício Transparente até 2028.