Este será o dia mais longo do ano, totalizando 25 horas. A última mudança de hora aconteceu a 30 de março, com a entrada no horário de verão, e a próxima alteração está prevista para 29 de março de 2026.
A mudança da hora, em vigor nos países da União Europeia, tem sido alvo de debate devido ao impacto no ritmo biológico, sono e bem-estar das pessoas. Especialistas ouvidos pela CNN Portugal defendem que o horário de inverno deveria manter-se todo o ano. A pneumologista Vânia Caldeira explica que o horário de inverno é o mais adequado do ponto de vista biológico, permitindo melhor sincronização do ciclo do sono com a luz solar, um adormecer mais fácil, sono contínuo e exposição adequada à luz matinal. Segundo a especialista, esta mudança será particularmente benéfica para crianças e jovens, que ficarão mais ativos de manhã e poderão adormecer mais cedo, salvo a exposição a luz artificial de dispositivos eletrónicos.
Os impactos da mudança de hora não se limitam a um único dia. A alteração bianual exige esforço do corpo, aumentando a probabilidade de acidentes de viação e agravando a privação de sono, o que pode elevar o risco de problemas cardiovasculares, sobretudo na mudança de hora que ocorre em março, alerta a especialista. A psicóloga Carolina de Freitas Nunes sublinha que crianças, jovens e idosos sentem maior impacto na rotina de sono, enquanto os adultos sofrem mais com a diminuição da socialização no inverno. O cardiologista Carlos Aguiar acrescenta que alguns estudos indicam aumento de incidentes cardiovasculares, como enfarte ou acidente vascular cerebral, nos dias seguintes à mudança de hora, embora nem todos os estudos confirmem esta relação.
Especialistas recomendam manter um horário uniforme ao longo do ano, preferencialmente o de inverno, para reduzir impactos fisiológicos e psicológicos, promover sono regular e melhor adaptação ao ritmo natural da luz solar. Carolina de Freitas Nunes explica que o horário de verão, com luz prolongada até ao final do dia, atrasa a produção de melatonina, dificultando o adormecer e podendo causar irritabilidade, fadiga e sintomas depressivos, descrevendo o fenómeno como um “mini jet lag”.
A discussão sobre o fim da mudança de hora decorre na União Europeia desde 2018. A Comissão e o Parlamento Europeu apelam ao consenso entre os Estados-membros para acabar com o acerto sazonal dos relógios, considerando que a prática já não gera poupanças energéticas e prejudica a saúde, especialmente de crianças e idosos. Apostolos Tzitzikostas, comissário europeu, afirmou que o sistema “afeta todos, frustra a maioria e prejudica as pessoas”, acrescentando que “já não produz poupanças energéticas para nenhum setor e tornou-se fonte de complicações desnecessárias”.
Em 2019, o Parlamento Europeu votou a favor do fim da mudança horária, com 410 votos a favor, 192 contra e 51 abstenções, após consulta pública em que 84% dos 4,6 milhões de inquiridos se mostraram a favor do fim das alterações de hora sazonais. No entanto, a proposta não avançou devido à falta de consenso no Conselho da União Europeia. O eurodeputado português João Oliveira, do PCP, defende que a decisão “não pode ser desligada das particularidades de cada país” e rejeita qualquer imposição da União Europeia.
O chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, anunciou recentemente que Espanha irá propor à União Europeia o fim definitivo da mudança de hora, considerando que esta já não faz sentido, que a maioria dos cidadãos reclama o seu fim e que a ciência mostra que não representa poupança energética, perturbando ritmos biológicos.
História da mudança de hora em Portugal remonta a 1916, quando surgiu na Alemanha durante a I Guerra Mundial para poupar combustível na iluminação. Portugal adotou o regime duas vezes por ano, em sintonia com a Europa. Desde 2001, a prática tornou-se obrigatória nos Estados-membros da União Europeia, através de diretiva de 2000, prevendo adiantamento e recuo dos relógios no último domingo de março e no último domingo de outubro. Fora da União Europeia, poucos países mantêm a prática, incluindo Estados Unidos, Canadá, México e Argentina.
Para minimizar os efeitos da mudança, a Deco/Proteste recomenda estratégias simples: manter rotina de sono consistente com pelo menos sete horas de descanso, evitar exposição a ecrãs e bebidas estimulantes antes de dormir, atualizar relógio para o novo horário, manter horários de deitar habituais e passar tempo ao ar livre, especialmente de manhã, pois a luz solar ajuda a regular o ritmo biológico e facilita a adaptação ao novo horário.
