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Portugal
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De Norte a Sul do país, voluntários imprimem cadeiras de rodas para crianças com mobilidade reduzida

Num país onde a tecnologia começa a abrir novas portas à inclusão, um grupo de voluntários decidiu transformar impressoras 3D em ferramentas capazes de mudar a vida de crianças.

Redação

O projeto nasceu nos Estados Unidos da América, mas já ganhou expressão em Portugal através da comunidade “3D com Propósito”, uma rede nacional que junta dezenas de voluntários empenhados em produzir cadeiras de rodas infantis impressas em 3D.

Entre eles está Pedro Silva, natural do Marco de Canaveses, um dos rostos de um movimento que hoje reúne participantes de Norte a Sul do país. “Somos pessoas do Porto, Lisboa, Coimbra, Beja, Évora, Faro… basicamente cerca de 240 pessoas”, explicou.

A ideia original surgiu pela mão de um norte-americano que desenvolveu uma cadeira de rodas totalmente impressa em 3D e disponibilizou gratuitamente o projeto online. A partir daí, qualquer pessoa com acesso a uma impressora 3D pode descarregar os ficheiros, imprimir as peças e ajudar na construção das cadeiras.

“Ele criou a cadeira, desenhou-a integralmente e colocou o projeto online para quem quisesse fazer o download e imprimir em casa”, contou Pedro Silva. Apesar de algumas componentes, como parafusos ou porcas, terem de ser adquiridas separadamente, grande parte da estrutura nasce diretamente das impressoras.

O projeto começou a ganhar forma em Portugal quando surgiram pedidos de ajuda de famílias portuguesas, mas sem qualquer rede nacional capaz de responder. “Havia duas cadeiras pedidas para Portugal, mas não existia ninguém cá para ajudar”, recordou.

Foi então que a comunidade de impressão 3D se mobilizou. O que começou como uma tentativa de ajudar uma criança rapidamente cresceu para algo maior. “Fomos-nos juntando, juntando… depois criou-se um site e o projeto começou a nascer”, explicou.

Hoje, através da plataforma 3D com Propósito, famílias podem inscrever-se para solicitar apoio. Depois, os responsáveis da organização entram em contacto para dar seguimento ao processo.

Mais do que um projeto tecnológico, trata-se de uma resposta prática a uma necessidade urgente. Segundo Pedro Silva, muitas crianças esperam demasiado tempo por uma cadeira através dos mecanismos tradicionais de apoio. 

O processo, apesar de inovador, está longe de ser simples. Cada cadeira envolve centenas de impressões e dezenas de voluntários espalhados pelo país. “Se não me engano, são duzentas e tal impressões. Cada pessoa imprime uma peça e depois tudo é enviado para o local onde as cadeiras são montadas”, explicou.

Há peças mais complexas que podem demorar mais de um dia a serem produzidas. “Se fosse só uma pessoa a fazer, demorava imenso tempo. Ou tinha muitas máquinas ou demorava muito”, acrescentou.

Ainda assim, o projeto já começou a entregar as primeiras cadeiras e a provar que a impressão 3D pode ter um impacto real na vida das famílias. Quanto à resistência e funcionalidade das cadeiras, Pedro Silva garante que os receios desaparecem quando se vêem as crianças a utilizá-las. “Temos vídeos de crianças de oito e nove anos a andar nas cadeiras e aquilo funciona perfeitamente”, assegurou.

Para Pedro Silva, a motivação acaba por surgir naturalmente ao perceber o impacto do trabalho desenvolvido. “Meti-me nisto e depois é seguir em frente. Saber que estamos a ajudar uma criança dá ainda mais vontade de continuar”, confessou.

Entre impressoras, peças e horas de dedicação voluntária, a comunidade “3D com Propósito” vai mostrando que a tecnologia também pode ser uma ferramenta de inclusão, construída camada a camada, peça a peça, para mudar vidas.

Instagram do projeto