Entre o bloco hospitalar, as unidades de cuidados continuados e a dura realidade socioeconómica da região do Tâmega e Sousa, o enfermeiro especialista em cuidados paliativos traça-nos um retrato sem filtros: do alcoolismo camuflado à urgência de voltarmos a olhar uns para os outros. Uma viagem aos bastidores de uma profissão que exige o dom de amar o ser humano, num país que tarda em valorizar quem cuida.
Se o sistema de saúde fosse um corpo humano, a enfermagem seria, sem margem para dúvidas, o coração. A metáfora é validada por Renato Gomes, enfermeiro natural de Lousada, que encontra nesta analogia a definição perfeita da sua classe profissional. "O coração faz mexer tudo o resto. Para podermos viver, o coração tem que estar a bater de forma contínua. É aquilo que alimenta todo o circuito do doente dentro de uma instituição", explica. Mas, o paralelismo tem uma segunda camada, bem mais emocional: "É preciso amar muito o ser humano para lhe poder prestar os cuidados que os enfermeiros lhe prestam."
Aos 35 anos, o percurso de Renato Gomes cruza várias geografias e níveis de exigência. Atualmente, a exercer funções no Hospital Pedro Hispano (integrado na ULS de Matosinhos), divide ainda o seu tempo e experiência como enfermeiro-chefe numa unidade de cuidados continuados em Delães, Vila Nova de Famalicão. Contudo, esta última função ficará a partir de agora em standby, fruto de um novo desafio que arranca já na próxima segunda-feira: Renato vai integrar a equipa de coordenação local de cuidados continuados em Amarante. Um cargo de cariz mais administrativo e burocrático, mas vital para o acompanhamento em rede de todos os doentes daquela zona da região.

