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Porto
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Expansão do Porto de Leixões divide Governo e Matosinhos: AGEPOR exige avanço das obras

A Associação dos Agentes de Navegação de Portugal defendeu que o plano estratégico para o Porto de Leixões, em Matosinhos, é "uma peça essencial" para manter a infraestrutura como o principal polo de ligações internacionais no noroeste da Península Ibérica.

Redação

A posição da AGEPOR: Ameaça espanhola e críticas ao imobiliário

Em comunicado, a AGEPOR sublinhou que o Porto de Leixões é um "ativo estratégico" fundamental para as empresas, criação de emprego e riqueza na região Norte, bem como para a economia nacional. A associação admite que o atual plano estratégico "pode ter defeitos", mas considera a sua implementação urgente face à evolução do transporte marítimo internacional.

  • Ameaça de Vigo: A associação alerta que o tamanho dos navios continua a aumentar e que, se nada for feito, a relevância portuária no norte da Península Ibérica será transferida para Vigo (Galiza). A AGEPOR sublinha que já existem serviços que foram perdidos para o porto espanhol.

  • Interesses imobiliários: Em resposta às críticas locais, a AGEPOR argumenta que "a vista de uns quantos apartamentos para quem os pode comprar" ou outros interesses imobiliários não se podem sobrepor ao interesse de uma região e do país, lembrando que o tráfego marítimo é vital.

Investimento do Governo e aprovação da APA

O Governo mantém a intenção de concretizar o projeto. Em janeiro, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, garantiu que o plano é para avançar, assegurando a intenção de dialogar com a Câmara de Matosinhos.

  • Investimento milionário: O governante adiantou que o Porto de Leixões vai receber um investimento superior a 1000 milhões de euros nos próximos 10 anos, destinado a novas marinas, terminais, equipamentos de acesso marítimo e acessibilidades.

  • Expansão: Miguel Pinto Luz esclareceu que a expansão será feita para o mar e para terra, mas sempre dentro do limite de influência da própria administração portuária.

  • Aprovação ambiental: O Estudo de Impacto Ambiental relativo à ampliação do terminal de contentores norte já recebeu um parecer favorável condicionado por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). A entidade exige à Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) a aplicação de medidas mitigadoras de impactos.

Forte contestação da Autarquia e da Concessionária

Apesar do aval ambiental e governamental, o projeto enfrenta dura oposição no terreno, tanto por parte do poder político local como dos operadores.

  • Câmara de Matosinhos admite ir a tribunal: A presidente da autarquia, Luísa Salgueiro (PS), ameaçou recorrer às vias judiciais para travar a obra caso não sejam estudadas alternativas e minimizados os impactos territoriais. A autarca classificou como "insultuoso" o descarte de soluções com menor impacto na qualidade de vida das pessoas sob o pretexto de serem opções mais caras.

  • Votação na Assembleia Municipal: Numa sessão extraordinária, a Assembleia Municipal de Matosinhos aprovou a emissão de uma pronúncia desfavorável ao projeto de ampliação do terminal. A proposta do executivo passou com os votos favoráveis do PS, a abstenção do CDS-PP e da IL, e os votos contra do PSD, Chega, CDU e Livre.

  • Críticas da Yilport: A atual concessionária do terminal de contentores, a Yilport, também se manifestou contra o projeto desenhado pela APDL, considerando que o modelo apresentado se afigura "insustentável a médio e longo prazo".