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Marco de Canaveses
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Livro "A Clarinha e as Estrelas" de Joana Matos apresentado no Museu Carmen Miranda

Na noite de sexta-feira, 24 de abril, o Museu Carmen Miranda, no Marco de Canaveses, acolheu o lançamento do livro infantil "A Clarinha e as Estrelas", da autora Joana Matos.

Redação

O evento, pautado por um ambiente intimista onde a literatura se cruzou com a música, revelou-se uma enorme surpresa para a escritora, celebrando uma obra que convida os leitores a mergulharem num universo de sonhos e descobertas.

A apresentação do conto esteve a cargo de Fernando Couto Ribeiro, contando com a moderação de Paula Mota e presença da vereadora Raquel Pereira. A iniciativa, aberta ao público, reforçou ainda o papel do Museu Carmen Miranda como um espaço fundamental de promoção cultural e artística no concelho.

Uma surpresa desenhada em absoluto sigilo

A escolha do Marco de Canaveses para a apresentação da obra não foi um acaso, mas, sim, o resultado de uma profunda ligação afetiva da autora à cidade. A própria Joana Matos confessou que o evento foi preparado no mais absoluto sigilo pelos seus amigos.

Tudo começou numa conversa com a vereadora Raquel Pereira, a quem a autora confidenciou que não iria fazer o lançamento do livro por "alguns motivos menos bons". Movida pela amizade, Raquel Pereira juntou-se a Bruno Costa e Carlos Bento para organizar a surpresa, um trio a que se viria a somar Verónica Leite, descrita pela escritora como "a cereja no topo do bolo desta organização tão bonita".

O ambiente intimista foi ainda embelezado por momentos musicais tocados ao vivo. Nas guitarras de Carlos Bento e Carolina Almeida, que dedilharam "talento e amor", transmitiram-se os sentimentos que marcaram a noite. "Depois desta noite tão especial, com tanta generosidade e amor que me foram dedicados, estou de coração cheio e ainda mais segura de que estou a trilhar o caminho certo na vida, o caminho do amor e da partilha", confessou a autora.

Da gaveta para os leitores: A origem da obra

A transição da escrita privada para um livro publicado não estava nos planos iniciais de Joana Matos. "Escrever um conto nunca foi algo que imaginasse fazer um dia", revelou. Assumindo-se como uma pessoa de afetos que sempre demonstrou os sentimentos mais através do toque do que verbalmente, encontrava no papel um refúgio. Contudo, a vida mostrou-lhe que "falar de sentimentos e exprimir verbalmente o que carregamos é muito importante, sob pena de deixarmos algo por dizer e depois ser tarde para o fazer".

A história da Clarinha nasceu de uma junção de inspirações: a família, os amigos e as preocupações reais de uma mãe e educadora. Joana Matos sentiu a necessidade de escrever ao presenciar as lutas diárias dos pais que dão tudo pelos filhos e que "nem sempre são compreendidos ou lhes é dada a natural gratidão que seria expectável". O empurrão final foi dado pelos amigos que leram os primeiros textos e a "obrigaram" a tirar o conto da gaveta.

Um conto infantil com fortes lições para os adultos

Embora "A Clarinha e as Estrelas" seja direcionado ao público infantil, aborda temáticas profundas que servem de bússola para os mais velhos. Entre as mensagens principais destacam-se:

  • A importância das emoções e da autoestima;

  • A força para saber dizer que "não" quando adequado;

  • A humildade, o respeito e os valores da família;

  • A admiração pelos mais velhos, valorizando-os como "poços de sabedoria" e combatendo a ideia de que são "descartáveis".

Durante a sessão, o apresentador Fernando Couto Ribeiro salientou que "as histórias de crianças são para adultos também". Por um lado, porque são os pais a ler para os filhos, partilhando esse momento de intimidade. Por outro, porque o livro permite abordar temas difíceis, como a empatia, comportamentos, e até a perda e a morte, de forma tranquila.

Nesse sentido, a professora Paula Mota reforçou a ideia de que a obra serve como um mote fundamental para iniciar o diálogo em casa ou na escola. Uma ferramenta de apoio à "nobre e hercúlea tarefa de ajudar os pais a transmitir valores que cada vez mais se vão perdendo", garantindo conversas "sem tabus ou vergonhas, sem medo e de coração aberto".

Gratidão a quem fez acontecer

A noite terminou com palavras de profundo agradecimento da autora. Joana Matos reconheceu o papel de todos os intervenientes que validaram a "imensidão do seu património imaterial": desde as "estrelas" que a guiam (Raquel, Bruno, Carlos e Verónica), aos oradores convidados (Fernando Couto Ribeiro e Paula Mota), passando pelo talento da jovem Carolina Almeida e pelo espaço cedido pelo Museu Carmen Miranda.

Um agradecimento final estendido à família, aos amigos e aos desconhecidos presentes, celebrando a premissa de que "a cultura é para todos e pode ser simples e bonita".