A investigação concluiu ainda que o uso intensivo de redes sociais não aumenta a tolerância à traição e que o perdão, embora frequente, resulta muitas vezes em relações tóxicas.
Um estudo do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT), em Coimbra, revelou que existe uma clara diferença na forma como homens e mulheres percecionam e reagem à infidelidade emocional.
A investigação concluiu ainda que o uso intensivo de redes sociais não aumenta a tolerância à traição e que o perdão, embora frequente, resulta muitas vezes em relações tóxicas.
Conduzida pela psicóloga e investigadora Maria Teresa Ribeiro, com a orientação da docente Joana Carvalho, a pesquisa focou-se nas reações de casais à quebra de confiança, traçando uma linha de separação entre a traição física (sexual) e a traição emocional (como a troca de mensagens ou proximidade afetiva).
Os dados recolhidos pelo ISMT evidenciam que os dois géneros avaliam o mesmo comportamento através de prismas muito distintos:
A perspetiva masculina: Os homens demonstram maior tolerância quando a traição não envolve contacto sexual direto, tendendo a relativizar comportamentos como a troca de mensagens com terceiros ou a proximidade puramente emocional.
A perspetiva feminina: As mulheres apresentam uma menor permissividade. Atribuem uma importância substancial à componente emocional, encarando-a como uma quebra de confiança mais grave e abrangente.
"Mais do que uma diferença de opinião, os resultados mostram que homens e mulheres não avaliam necessariamente o mesmo comportamento de forma igual: enquanto uns tendem a separar envolvimento emocional e físico, outros encaram qualquer quebra de exclusividade como uma ameaça direta à relação", explicou a investigadora Joana Carvalho.
Ao contrário do que a equipa de investigação inicialmente perspetivava, o estudo demonstrou que uma maior utilização das redes sociais não se traduz numa maior tolerância à infidelidade.
O que os investigadores constataram foi uma ausência de consenso sobre o que define realmente uma traição, havendo quem valorize tanto as interações digitais (nas várias plataformas sociais) como o envolvimento físico propriamente dito. Segundo o estudo, "quando não há acordo sobre o que é traição, também não há acordo sobre a gravidade do que aconteceu". É exatamente esta indefinição de limites que ajuda a explicar por que motivo uma quebra de confiança nem sempre dita o fim de um relacionamento.
O estudo do ISMT deitou por terra a ideia de que a insatisfação leva linearmente à rutura. Casais que classificam a sua relação como "não sendo boa" não terminam obrigatoriamente a ligação após uma traição. Da mesma forma, os resultados mostraram que muitos casais optam por perdoar, mas a partir desse momento a relação acaba por se tornar tóxica.
Para a autora da investigação, Maria Teresa Ribeiro, a sobrevivência do casal não depende apenas do ato de traição em si, mas sim da lente através da qual ele é interpretado: "Não há variáveis que ditem por si só o destino de um casal; o impacto de cada um dos fatores na decisão de permanecer é, na verdade, muito limitado".
A investigação revelou ainda um último dado comportamental de relevo: as pessoas que já traíram em relacionamentos passados mostram-se mais tolerantes perante a infidelidade nas suas relações atuais.