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Portugal
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RRewilding Portugal condena projeto solar SOPHIA e alerta para "destruição irreversível" na Beira Interior

A organização de conservação da natureza Rewilding Portugal manifestou publicamente a sua "oposição firme" ao projeto da Central Solar Fotovoltaica SOPHIA e às linhas de muito alta tensão associadas.

Redação

 A associação alerta para impactos ambientais, sociais e territoriais "significativos e irreversíveis" nos concelhos do Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova.

Em comunicado oficial, a Rewilding Portugal fundamenta a sua posição na análise do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), argumentando que o projeto não cumpre os critérios mínimos de sustentabilidade. Segundo a organização, a infraestrutura ocupará uma área total superior a 3.500 hectares, dos quais cerca de 434 serão diretamente impermeabilizados por painéis e estruturas, afetando ecossistemas de elevado valor na paisagem da Serra da Gardunha.

Impactos na Biodiversidade e Corredores Ecológicos

A associação sublinha que a área de implantação do projeto interseta zonas classificadas, nomeadamente a Zona Especial de Conservação da Serra da Gardunha (Rede Natura 2000) e aproxima-se do Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO.

O parecer da Rewilding Portugal destaca que o projeto ameaça sete tipos de habitats naturais e cerca de 30 espécies de vertebrados com estatuto de ameaça, incluindo a Cegonha-preta, o Abutre-preto e a Águia-imperial, bem como a flora local rara. A organização critica ainda a interrupção dos corredores ecológicos "Raia Norte" e "Raia Sul", considerando que a fragmentação da paisagem compromete a mobilidade da fauna selvagem, como o lobo-ibérico.

“Se o preço a pagar é a própria biodiversidade, não lhe chamem energia verde”, lê-se na nota divulgada, onde a organização classifica as medidas de compensação apresentadas — como a conversão de eucaliptais em montado — como insuficientes para mitigar a perda de habitats complexos e estabelecidos.

Preocupações Sociais e Económicas

Para além das questões ambientais, a Rewilding Portugal aponta riscos para as comunidades locais e para a economia da região. A associação defende que as populações da Beira Interior serão "duplamente penalizadas", sofrendo com a perda de áreas agrícolas, ruído, poeiras e a descaracterização visual da paisagem, sem garantias de benefícios económicos proporcionais.

A organização alerta também que a "intrusão paisagística" da central solar poderá afetar irreversivelmente o turismo de natureza, um setor em crescimento na região e visto como estratégico para o desenvolvimento sustentável do território.

Apelo a Alternativas

Apesar de reconhecer a urgência da transição energética, a Rewilding Portugal argumenta que esta não deve ser feita à custa da biodiversidade e da coesão territorial. A associação propõe ao Governo e às entidades competentes que priorizem a instalação de painéis solares em áreas já artificializadas, abandonadas ou em coberturas de edifícios públicos e industriais, evitando a "criação de desertos ecológicos".

A Rewilding Portugal apela, assim, à rejeição integral do projeto SOPHIA, defendendo um modelo de transição energética que seja compatível com a conservação da natureza e o restauro ecológico.