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Portugal
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Estrangeiros dependem menos de subsídios do que os cidadãos portugueses

De acordo com dados do Boletim Económico de março do Banco de Portugal (BdP), avançados pelo Jornal de Notícias, os trabalhadores imigrantes em Portugal apresentam uma taxa de dependência de prestações sociais significativamente inferior à dos cidadãos nacionais.

Redação

Em média, os estrangeiros passam apenas 4,5% do seu tempo de permanência no país a auferir subsídios ou pensões, enquanto os portugueses, no mesmo grupo etário e período, registam uma taxa de 7%.

A análise incidiu sobre a população entre os 29 e os 46 anos, monitorizando o seu percurso entre 2010 e 2024. As conclusões revelam que, durante este intervalo, os imigrantes estiveram 95,5% do tempo a trabalhar e a pagar impostos.

Perfil de Contribuição e Benefícios

A estrutura da ocupação profissional dos imigrantes em Portugal divide-se entre trabalhadores por conta de outrem (66,3%), trabalhadores independentes (22%) e cargos de direção ou órgãos estatutários (7,2%). No que toca aos apoios recebidos, os números são residuais quando comparados com a média nacional:

  • Subsídio de Desemprego: Imigrantes (3,6%) vs. Portugueses (4%).

  • Pensões: Imigrantes (0,2%) vs. Portugueses (1,4%).

  • Outras Prestações: Imigrantes (0,7%) vs. Portugueses (1,6%).

O relatório detalha ainda que os cidadãos oriundos do Norte de África, Ásia e América Latina (excluindo o Brasil) são os que menos recorrem ao subsídio de desemprego. Já os imigrantes da Rússia, Ucrânia, Moldávia e Brasil registam uma permanência ligeiramente superior como beneficiários, embora continuem sempre abaixo da média dos cidadãos nacionais.

Impacto Financeiro: Saldo Positivo de 3 Mil Milhões de Euros

Informações avançadas anteriormente pelo Jornal de Notícias indicam que as contribuições dos imigrantes para a Segurança Social atingiram um marco histórico em 2025, ultrapassando os quatro mil milhões de euros.

"O valor representa cinco vezes mais do que recebem em prestações sociais, num total superior a três mil milhões de saldo positivo."

Atualmente, cerca de 90% dos 1,13 milhões de estrangeiros inscritos na Segurança Social são trabalhadores ativos que pagam impostos. Um terço deste montante provém da comunidade brasileira, seguida pela indiana e pela angolana, setores dos quais a economia nacional está cada vez mais dependente.

Fatores de Retenção: O Papel da Família

O Banco de Portugal estima que cerca de metade dos imigrantes que entraram desde 2020 permanecem no país após cinco anos. A permanência é influenciada sobretudo pelas perspetivas de emprego e pelos laços familiares. O BdP alerta que a existência de família no território diminui o risco de saída em 68%.

"A presença das famílias é assim fundamental para aumentar a retenção dos trabalhadores estrangeiros, facilitando a acumulação de capital humano específico nas empresas em que se inserem", sublinha o boletim económico.

Para garantir a estabilidade desta população, o supervisor financeiro recomenda a adoção de políticas que promovam vínculos laborais estáveis, melhores remunerações e apoios à parentalidade, de forma a evitar que uma inversão do ciclo económico provoque uma saída em massa destes trabalhadores.