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Portugal
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Quem é quem na corrida a Belém? Saiba o que distingue os 11 candidatos às eleições de 18 de janeiro

Onze candidatos disputam as eleições presidenciais de 18 de janeiro, apresentando perfis e trajetórias distintas que vão da política partidária à gestão, passando pelas artes, pela carreira militar e pelo ativismo.

Redação

Luís Marques Mendes: O regresso à política ativa

Luís Marques Mendes, de 68 anos, "entregou o cartão de militante no dia em que anunciou a candidatura", a 6 de fevereiro. Antigo líder do PSD, ministro e comentador televisivo, Marques Mendes conta com o apoio formal do PSD e do CDS-PP. Licenciado em Direito, iniciou a sua vida política muito jovem, chegando a vice-presidente da Câmara de Fafe aos 19 anos e integrando os três governos de Cavaco Silva. Atualmente é conselheiro de Estado, cargo que ocupa desde 2011.

Gouveia e Melo: O "almirante das vacinas"

O almirante Gouveia e Melo, de 65 anos, candidata-se prometendo estar "acima das disputas partidárias" e situando-se no "centro pragmático". Conhecido pelo seu papel como coordenador do plano de vacinação contra a covid-19, anunciou a candidatura em maio, durante a campanha para as legislativas. Defende que a política externa deve ter "um pé na Europa e outro no Atlântico" e aponta Mário Soares e Ramalho Eanes como referências.

André Ventura: A voz antissistema

André Ventura, 42 anos, líder do Chega, apresenta-se novamente como o candidato "antissistema", afirmando que "não será o Presidente de todos os portugueses". Licenciado em Direito e doutorado pela Universidade de Cork, Ventura entrou na política pelo PSD antes de fundar o Chega em 2019. Candidata-se para dar "voz" ao seu partido, mantendo o discurso contra a imigração e a comunidade cigana que lhe valeu processos em tribunal.

António José Seguro: O regresso "sem amarras"

O antigo secretário-geral do PS, António José Seguro, 62 anos, regressa à vida política após uma década de afastamento, apresentando uma candidatura que diz ser "sem amarras", apesar de ter recebido o apoio do PS quatro meses depois do anúncio. Seguro posiciona-se na "esquerda moderada e moderna" e tem um percurso marcado por cargos governativos e parlamentares, tendo liderado a Juventude Socialista e o PS entre 2011 e 2014.

Catarina Martins: "Cuidar da democracia"

A eurodeputada do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, 52 anos, concorre com o objetivo de "cuidar da democracia" e "fazer pontes". Com um percurso ligado ao teatro antes da política, liderou o Bloco de Esquerda durante mais de uma década, período em que o partido alcançou o seu melhor resultado de sempre (2015) e integrou a 'geringonça'.

João Cotrim Figueiredo: O gestor na política

João Cotrim Figueiredo, 64 anos, antigo gestor e líder da Iniciativa Liberal, define-se como um "político acidental". Após uma carreira de 34 anos em empresas como a Compal e a TVI, entrou na política para dar resposta à falta de oportunidades das gerações mais jovens. Atualmente eurodeputado, ficou conhecido por propostas liberais como a taxa única de IRS.

António Filipe: O candidato comunista

António Filipe, 62 anos, é o candidato apoiado pelo PCP, partido ao qual aderiu em 1983. Com quase 50 anos de atividade política, foi deputado ininterruptamente entre 1989 e 2022 e vice-presidente da Assembleia da República. Conhecido pelo diálogo e sentido de humor, tem também posições polémicas na política internacional.

Jorge Pinto: O "europeísta convicto"

O deputado do Livre, Jorge Pinto, 38 anos, é o candidato mais jovem e assume-se como um "europeísta convicto". Engenheiro do ambiente e doutorado em Filosofia, trabalhou nas instituições europeias antes de fundar o Livre em 2014. Propõe levar um "sotaque novo" a Belém e vê a esquerda como "uma janela".

André Pestana: A voz dos protestos

André Pestana, 48 anos, professor e rosto das greves do sindicato S.T.O.P., candidata-se para ser "a voz dos sem voz". Com um percurso marcado pela precariedade docente e pelo ativismo sindical, Pestana pretende "elevar a luta pelos serviços públicos" e combater a "barbárie social/ecológica".

Humberto Correia: O candidato contra a crise da habitação

Humberto Correia, pintor de 64 anos, surpreendeu ao entregar quase 9.500 assinaturas. Centra a sua campanha na crise da habitação, prometendo percorrer o país vestido de D. Afonso Henriques. Defende mais habitação social e justifica a candidatura com a pobreza vivida por muitos portugueses.

Manuel João Vieira: O surrealismo contra o "absurdo"

Manuel João Vieira, músico e artista plástico de 63 anos, candidata-se pela quinta vez, usando o humor e propostas surrealistas para expor o "absurdo da política" e o "crescimento do fascismo". Promete "vinho canalizado" e "um Ferrari para cada português", insistindo que política e arte deviam estar mais unidas.