logo-a-verdade.svg
Marco de Canaveses
Leitura: 5 min

Esclerose deixa Mário Santos imobilizado e família pede ajuda para angariar carrinha: “Custa-me imenso vê-lo ali... uma pessoa que fez tanto pelos outros”

A vida de Mário Santos mudou de forma abrupta há cerca de dois anos, quando foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa que lhe retirou progressivamente a mobilidade e a autonomia.

Redação

Hoje, totalmente dependente e acamado, o seu maior desejo é simples: voltar a sair de casa. Para isso, a família lançou uma angariação com um objetivo concreto: adquirir uma carrinha adaptada que lhe permita recuperar alguma dignidade e qualidade de vida.

"Pode parecer um luxo, mas não é. É dignidade", sublinha Catarina, filha de Mário, que descreve o impacto devastador da doença. "Neste momento, ele não consegue sequer ir a uma consulta, ao dentista ou simplesmente dar um passeio. Aquilo que nós damos por garantido...", acrescenta, relatando a realidade diária do padrasto, que considera como pai.

Natural do Porto, mas a residir em Marco de Canaveses há mais de 20 anos, Mário Santos construuiu uma vida marcada pela dedicação à família e à comunidade. Artista plástico e professor de matemática e desenho, trabalhou durante anos ligado à formação e ao ensino, ao lado da companheira. "O meu pai sempre foi o pilar da casa. Tudo o que fosse preciso, ele fazia", recorda Catarina. Para além da vertente profissional, teve também um forte envolvimento social e cultural, incluindo a organização de um grupo de dança dinamizado pela família.

Mais tarde, abraçou um percurso religioso, tendo frequentado o seminário e tornando-se diácono. "Era o braço direito do padre. Fazia celebrações, casamentos, batizados... estava sempre disponível", conta a filha. A par disso, era conhecido pela sua generosidade e disponibilidade: "Toda a gente tem uma grande estima por ele, porque realmente é uma pessoa boa, sempre preocupado com os outros".

O diagnóstico de ELA trouxe uma mudança brusca. Catarina recorda o momento em que começaram os primeiros sinais: "Ele acordou e disse que não sentia a perna. Pensámos que não seria nada de grave". No entanto, após exames e acompanhamento hospitalar, surgiu a confirmação. "O médico disse-me: ‘o seu pai tem esclerose lateral amiotrófica’. E a partir daí foi galopante".

A doença avançou rapidamente, deixando Mário completamente imóvel, apesar de manter plena lucidez. "Ele não mexe rigorosamente nada. Nem no telefone. E reconhece tudo, percebe tudo... acho que isso ainda custa mais", confessa Catarina.

A esposa, descrita como uma "grande mulher", tem estado sempre ao lado do marido, embora tenha algumas complicações a nível de saúde. "A minha mãe está sempre ao lado do meu pai a ajudar no que pode e está muito cansada. A ideia da carrinha é tirá-lo também de casa para que ela possa respirar um pouco. Sem a minha mãe, não conseguiríamos". Paralelamente, Catarina assumiu o papel de cuidadora informal, conciliando-o com o trabalho. "Estou a pôr em causa o meu trabalho para assistir o meu pai", admite.

A urgência de adquirir uma carrinha adaptada

Foi numa ida ao hospital que a necessidade de uma carrinha adaptada se tornou ainda mais urgente. "Ele virou-se para mim e disse: ‘se eu tivesse uma destas, já podia passear’. Aquilo bateu-me de uma forma tão profunda...", recorda. A solução permitiria transportar Mário em segurança, sem necessidade de transferências dolorosas, utilizando a cadeira de rodas diretamente no veículo.

Atualmente, sair de casa só é possível através de ambulância. "O corpo dele está rígido, como uma pedra. Não conseguimos colocá-lo num carro normal. Ele queixa-se de dores", explica. A carrinha permitiria não só deslocações médicas, mas também algo mais simples e essencial: "Sentir o sol no rosto, ver o rio, respirar ar fresco".

A família já identificou viaturas adaptadas no mercado, mas a escassez e o custo elevado dificultam o processo. "Estas carrinhas desaparecem logo", alerta. Ainda assim, mantém a esperança através da angariação pública.

"Se puderem ajudar, com qualquer valor, ou simplesmente partilhar esta mensagem, já estarão a fazer uma enorme diferença", apela Catarina. Mais do que um meio de transporte, a carrinha representa a possibilidade de devolver a Mário Santos pequenos momentos de liberdade numa fase em que cada gesto conta.

Contactos para ajudar: Mbway: 934 206 462 ou 912 279 175 Revolut: @catariik2x