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Marco de Canaveses
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Confraria do Anho Assado com Arroz de Forno celebra 20 anos com apresentação de estudo científico

A Confraria do Anho Assado com Arroz de Forno apresenta um estudo e um livro sobre a história do prato, no dia 9 de julho, em Marco de Canaveses.

Redação

A Confraria do Anho Assado com Arroz de Forno vai assinalar o seu 20.º aniversário com a apresentação pública de um estudo científico e o lançamento do livro "Anho Assado com Arroz de Forno na Fé de História e Tradição". O evento decorre no dia 9 de julho, às 21h00, no Emergente Centro Cultural, em Marco de Canaveses, numa sessão aberta a toda a comunidade. A iniciativa, revelada pela associação gastronómica em comunicado, surge no âmbito da estratégia de preservação histórica e promoção da identidade cultural da região do Tâmega e Sousa.

O projeto de investigação, iniciado em novembro de 2023, foi desenvolvido pela empresa Stay to Talk. O estudo documental compreendeu uma pesquisa bibliográfica detalhada em bibliotecas nacionais e regionais, incluindo passagens pela Torre do Tombo e pelos arquivos municipais de Marco de Canaveses, Baião e Penafiel, no distrito do Porto.

Testemunhos locais sustentam investigação histórica

Além da vertente documental, o trabalho de campo contou com a realização de doze entrevistas a proprietários de estabelecimentos de restauração e a residentes seniores com idades compreendidas entre os 80 e os 90 anos. Foram também organizados dois grupos de discussão com as populações locais para a recolha de testemunhos orais e validação de dados históricos sobre a confeção da iguaria.

As conclusões deste levantamento foram reunidas na obra "Anho Assado com Arroz de Forno na Fé de História e Tradição". O livro aborda o contexto da produção local, a relevância familiar e económica do prato na região e os métodos tradicionais de confeção, resumindo também o percurso de duas décadas da associação gastronómica marcoense, que foi fundada no ano de 2006.

A publicação dedica ainda uma secção às raças de gado autóctones. Destacam-se as raças Bordaleira de Entre Douro e Minho e a Churra do Minho, apontadas na investigação como fundamentais para a manutenção do perfil identitário deste prato típico regional.

Certificação do prato é a próxima prioridade da confraria

Luís Brás, chanceler da confraria, realçou em declarações que o projeto representa um passo decisivo para a salvaguarda do património regional. "Fomos buscar as raízes todas do anho assado com arroz de forno, desde quando é que se faz ou onde é que se faz, mas a envolvência principal foi Marco de Canaveses e Baião", explicou o responsável.

O dirigente associativo sublinhou o impacto promocional da publicação para o território, referindo que o objetivo passa por "promover e divulgar o nosso território com um simples almoço ou com um simples jantar, ou com um simples convívio entre confrarias a nível nacional em que nós partilhamos aquela que é nossa".

Em relação ao funcionamento da instituição, o chanceler destacou o espírito de voluntariado e a responsabilidade coletiva na gestão da associação. "Somos pessoas singulares que estão dentro de uma associação, que vestem o mesmo traje, dentro da sensação de que somos todos iguais e que promovem um objetivo principal", referiu, assumindo o compromisso de "manter este legado para as novas gerações".

Com o encerramento desta fase de investigação, que se estendeu por cerca de três anos, a Confraria do Anho Assado com Arroz de Forno projeta agora novas metas institucionais. Luís Brás adiantou que a associação pretende avançar a curto prazo para "a certificação deste prato, a certificação como património imaterial também, são os próximos objetivos".