logo-a-verdade.svg
Portugal
Leitura: 5 min

Realidade virtual aumenta a motivação dos alunos e reduz a ansiedade nas aulas

O projeto europeu VIBES, liderado pelo Politécnico de Leiria, concluiu que o uso da realidade virtual na Educação Física melhora a motivação dos jovens.

Redação

A utilização de ferramentas de realidade virtual no contexto das aulas de Educação Física traduz-se numa melhoria significativa da motivação dos estudantes e numa redução do sentimento de desconforto durante a prática de atividade física. Esta é a principal conclusão do projeto europeu VIBES (Virtual Reality Sports Interaction Between European Schools), um programa transnacional liderado pelo Politécnico de Leiria. Ao longo de 30 meses, a iniciativa avaliou o impacto prático da introdução destas tecnologias de imersão digital em ambiente escolar.

O estudo, iniciado em dezembro de 2023, envolveu diretamente mais de 420 alunos do ensino secundário e cerca de 40 docentes de Educação Física de Portugal, Bélgica, Itália e Chipre. Os dados finais foram formalmente apresentados num encontro internacional realizado no Centro Universitário Desportivo Unipa, em Palermo, Itália, nos dias 14 e 15 de maio de 2026, evidenciando uma clara transformação positiva na forma como os jovens assimilam regras, técnicas e modalidades desportivas.

Redução da ansiedade e promoção da inclusão social

Em declarações à agência Lusa, um dos coordenadores do projeto, José Amoroso, revelou o excelente balanço das dinâmicas aplicadas nas escolas secundárias Francisco Rodrigues Lobo, Afonso Lopes Vieira e no Agrupamento de Escolas da Batalha. “Os alunos responderam de forma extremamente positiva às experiências desenvolvidas”, frisou o investigador do Politécnico de Leiria, realçando os “níveis elevados de diversão e prazer associados às atividades”.

O uso dos óculos de realidade virtual demonstrou uma eficácia invulgar junto dos alunos mais reticentes à prática desportiva tradicional, permitindo-lhes contornar barreiras psicológicas e sociais. “Os indicadores de ansiedade e desconforto permaneceram baixos. Aqueles jovens que não se sentem confortáveis em realizar algumas atividades conseguem estar ali dez minutos imersivos numa aula quase de ‘body combat’ e têm algo muito bom para o fazer”, constatou José Amoroso.

O professor reforçou ainda o pendor inclusivo deste modelo tecnológico, asseverando que “ser inclusivo não é só para as pessoas de cadeira de rodas”, mas aplica-se também a contextos em que “aquela criança ou jovem que está ali mais afastado por aspetos sociais e pode ajudar a incluí-lo”.

Inovação curricular e o desafio da flexibilidade desportiva

O coordenador do Vibes admitiu que, antes do arranque do projeto, se posicionava contra a entrada de ecrãs e dispositivos digitais no pavilhão desportivo. Contudo, a experiência prática alterou a sua perspetiva, notando que a “interpretação que se faz da possibilidade da utilização da mesma depende muito da forma como ela é apresentada”. José Amoroso sublinha que o propósito principal “não é substituir as outras modalidades”, mas sim “acrescentar uma vertente inovadora e algo que os jovens têm realmente acesso e que vai ter muito potencial”, funcionando como “uma forma de aumentar a prática da atividade física”.

O investigador lamentou, todavia, as barreiras burocráticas encontradas em Portugal, criticando o facto de os currículos nacionais revelarem uma rigidez excessiva em comparação com os parceiros europeus. “Como a Bélgica, que procuram que os alunos se mexam mais e sejam mais ativos”, apontou, lembrando que nas escolas belgas os discentes “podem jogar ao berlinde, têm muitos jogos de raquetes, 'pickleball', 'street tennis'” e “não têm esse bloqueio dos currículos”, visto que ali “o importante é que os jovens gostem, estejam motivados e façam atividade física”.

O projeto VIBES deixa como legado a criação de um e-course traduzido em cinco línguas, materiais pedagógicos inovadores e a organização de torneios internacionais. Com o fecho dos relatórios científicos, os parceiros já discutem novas candidaturas a fundos comunitários para expandir o programa.