Globalmente, estas interações representam mais de 5% de todas as mensagens enviadas para a plataforma, com um em cada quatro utilizadores semanais a colocar questões relacionadas com o tema.
A inteligência artificial (IA) tornou-se um ponto de contacto primário para questões médicas a uma escala massiva. Segundo dados revelados pela OpenAI, mais de 40 milhões de pessoas recorrem ao ChatGPT todos os dias para esclarecer dúvidas de saúde.
Globalmente, estas interações representam mais de 5% de todas as mensagens enviadas para a plataforma, com um em cada quatro utilizadores semanais a colocar questões relacionadas com o tema.
O fenómeno é comparado pela empresa ao advento da eletricidade, prometendo mudar radicalmente a forma como a sociedade gere o bem-estar e a doença.
O relatório destaca que a IA está a funcionar como uma rede de segurança para um sistema de saúde sob pressão, especialmente nos Estados Unidos. Um dado revelador indica que 7 em cada 10 conversas sobre saúde no ChatGPT ocorrem fora do horário normal de funcionamento das clínicas (entre as 08h00 e as 17h00).
Isto sugere que os cidadãos procuram informação acionável precisamente quando os consultórios estão fechados. A ferramenta é utilizada para interpretar sintomas, preparar visitas ao médico e, muito frequentemente, para lidar com a burocracia. Cerca de 2 milhões de mensagens por semana são dedicadas exclusivamente a seguros de saúde, incluindo comparação de planos, compreensão de preços e gestão de reclamações ou faturação.
A tecnologia tem demonstrado uma penetração significativa em zonas rurais e isoladas. Em comunidades rurais subaproveitadas, os utilizadores enviam uma média de quase 600.000 mensagens relacionadas com saúde por semana.
A OpenAI analisou dados de "desertos hospitalares" — definidos como locais a mais de 30 minutos de viagem de um hospital geral ou pediátrico. Os estados norte-americanos de Wyoming e Oregon lideram a percentagem de mensagens provenientes destas zonas, onde o encerramento de serviços críticos, como obstetrícia e oncologia, obriga as populações a viajar longas distâncias. Nestes contextos, a IA ajuda a interpretar informações e a preparar os cuidados antes da deslocação física.
Ao contrário da ideia de que a IA poderia substituir os médicos, os dados mostram que estes a estão a adotar como aliada. O relatório aponta que 66% dos médicos nos EUA já utilizam inteligência artificial, um salto considerável face aos 38% registados em 2023.
Entre os enfermeiros, 46% utilizam a IA semanalmente. A tecnologia é usada maioritariamente para combater o burnout administrativo: ajuda a documentar códigos de faturação, a preencher registos médicos e a resumir notas de consultas, libertando tempo para o contacto direto com o paciente. Ferramentas como o Oracle Clinical Assist já permitem que médicos em zonas rurais reduzam o tempo gasto na entrada manual de dados.
O documento relata casos onde a intervenção da IA foi determinante:
Diagnóstico de emergência: Ayrin Santoso utilizou o ChatGPT para analisar os sintomas súbitos de perda de visão da sua mãe. A IA alertou para a possibilidade de uma crise hipertensiva e AVC, levando a família a procurar urgência hospitalar imediata, o que permitiu a recuperação de 95% da visão da paciente.
Advocacia do paciente: Rich Kaplan, portador de uma doença autoimune rara, utilizou a IA para encontrar estudos clínicos que fundamentassem um recurso contra a sua seguradora, que havia negado um tratamento. Com a ajuda da documentação gerada, venceu a arbitragem e obteve a aprovação.
Investigação científica: Na biotecnologia, empresas como a Junevity utilizam a IA para identificar genes-alvo no combate ao Parkinson, acelerando o processo de descoberta a custos reduzidos.
A OpenAI sublinha a necessidade de atualizar as políticas públicas para a "Era da Inteligência", defendendo a criação de infraestruturas que permitam partilhar dados médicos de forma segura para acelerar descobertas científicas. O relatório insta ainda a Food and Drug Administration (FDA) a clarificar a regulação de dispositivos médicos baseados em IA para uso do consumidor, facilitando a inovação segura.