Este é o primeiro GAV a operar em parceria direta com a CVP, passando a integrar uma rede nacional composta por 13 gabinetes.
Matosinhos conta desde esta semana com um novo Gabinete de Apoio à Vítima (GAV). Esta nova estrutura de atendimento, com especial enfoque nos casos de violência doméstica, nasce de um protocolo inédito e tripartido entre o Ministério da Justiça, a Procuradoria-Geral da República e a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP).
Este é o primeiro GAV a operar em parceria direta com a CVP, passando a integrar uma rede nacional composta por 13 gabinetes.
A cerimónia de inauguração contou com a presença da Ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, do Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra, e do Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, António Saraiva, que assinaram formalmente o protocolo após o descerramento da placa.
O novo GAV de Matosinhos tem como missão assegurar uma intervenção centrada na proteção, na autonomia e no acesso efetivo à justiça por parte das vítimas de crime. Para tal, a estrutura garante:
Atendimento estritamente confidencial;
Informação e acompanhamento jurídico ao longo de todo o processo judicial;
Encaminhamento célere para respostas sociais e de apoio psicológico.
Durante a sua intervenção, António Saraiva sublinhou que a mitigação da violência doméstica é uma prioridade estratégica da instituição, classificando o fenómeno como “uma das mais graves violações dos direitos humanos”. O responsável enalteceu ainda a delegação de Matosinhos como uma peça-chave por reunir respostas de forma articulada e garantir um ciclo completo de apoio judicial e acolhimento humano.
A inauguração serviu também de palco para a CVP partilhar os dados alarmantes recolhidos pelas suas equipas ao longo de 2025, evidenciando um aumento generalizado nos pedidos de ajuda e acompanhamento:
Processos acompanhados: 1.991 casos de violência doméstica. Deste total, 1.549 corresponderam a adultas (um aumento de 8% face a 2024) e 442 a crianças e jovens (um crescimento de 16%).
Acolhimento de emergência: 838 vítimas acompanhadas e abrigadas nas estruturas da CVP (mais 13% do que no ano anterior).
Atendimentos gerais: 6.407 consultas presenciais (+4%) e 10.719 atendimentos não presenciais (+18%).
Apoio psicológico: Registou-se um aumento de 9% no acompanhamento a adultos e um salto preocupante de 26% no apoio a crianças e jovens vítimas deste flagelo.
Atualmente, a Cruz Vermelha Portuguesa é uma das instituições com maior cobertura no país, detendo sete respostas de acolhimento de emergência, uma Casa Abrigo de média duração, sete estruturas de atendimento especializado e cinco equipas de acompanhamento psicológico infantil.
Face a esta exigência estrutural, o Presidente da CVP aproveitou a ocasião para deixar um apelo claro às entidades governamentais. António Saraiva defendeu a necessidade urgente de garantir financiamento regular e a redução de constrangimentos burocráticos, sublinhando que a articulação fluida entre as forças de segurança, os serviços de saúde e o sistema judicial é "absolutamente essencial" para travar a violência doméstica em Portugal.