A sessão marcou oficialmente o arranque de um novo ciclo de governação regional, com a tomada de posse da nova equipa de vice-presidentes da CCDR Norte e a apresentação do plano Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR).
O Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, foi palco na terça-feira de manhã, 3 de março, de uma reunião extraordinária do Conselho Regional do Norte.
A sessão marcou oficialmente o arranque de um novo ciclo de governação regional, com a tomada de posse da nova equipa de vice-presidentes da CCDR Norte e a apresentação do plano Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR).
Poucos dias após ter assumido a presidência da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR Norte), Álvaro Santos aproveitou o momento para traçar as prioridades estratégicas da instituição. O novo presidente defendeu a necessidade de passar de "uma lógica de reação para uma lógica de antecipação", sublinhando que a CCDR deve assumir-se como uma "verdadeira parceira estratégica do território" e não apenas como uma mera entidade gestora de programas.
"A Região Norte tem ativos extraordinários: talento, capacidade empresarial, universidades de excelência, centros de investigação reconhecidos internacionalmente, uma identidade cultural forte e uma notável resiliência coletiva", destacou Álvaro Santos. O responsável vincou ainda que para transformar estes ativos em prosperidade é preciso "coerência estratégica e escala", elogiando a sua nova equipa por unir "visão estratégica a capacidade operacional".
A nova equipa de vice-presidentes
A cerimónia oficializou a entrada em funções dos vice-presidentes que irão acompanhar Álvaro Santos neste mandato. A equipa de liderança fica completa com:
Designados por via eleitoral: Ricardo Bento, Pedro Machado e Paulo Ramalho (renomeado).
Nomeados pelo Governo: Maria José Fernandes, Jorge Mendes, Gabriela Leite e Rui Costa (conforme a Resolução do Conselho de Ministros n.º 47 A/2026).
A sessão contou com uma forte representação governamental. O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, apresentou o novo modelo de desconcentração do Estado, garantindo que "as CCDR nunca tiveram tantas competências como agora". O governante expressou ainda o desejo de que, no futuro, os serviços da Água e da Floresta passem a integrar a alçada destas comissões, num passo considerado decisivo para "eliminar a fragmentação do Estado".
Castro Almeida foi também o responsável por detalhar o novo PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência. Desenhado na sequência dos recentes impactos climáticos, o plano assenta em três pilares estruturantes — cooperação, resiliência e transformação — e elege como grandes prioridades o reforço da capacidade de resposta a riscos hídricos e incêndios florestais.
Presente na cerimónia, o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, deixou um alerta sobre o desempenho económico da região. Lembrando que o Norte "continua com o PIB per capita mais baixo do país", o governante instou a região a ter maior ambição e a aproveitar os grandes fundos europeus, como o PT2030 e o PTRR, para impulsionar a competitividade.
A abertura dos trabalhos contou ainda com a intervenção de Francisco Lopes, presidente do Conselho Regional do Norte, que vincou que a descentralização é um caminho "longo, mas indispensável". A sessão teve ainda as boas-vindas do diretor do museu, António Ponte, e do presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, registando também a presença dos secretários de Estado Hélder Reis (Planeamento e Desenvolvimento Regional) e Silvério Regalado (Administração Local e Ordenamento do Território).