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Desporto
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Violência no Desporto: FPF apresenta ao Governo nove medidas para reforçar segurança

A Federação Portuguesa de Futebol reuniu com o Governo para apresentar propostas contra a violência, incluindo o Fan ID e o controlo de acessos.

Redação

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) entregou ao Governo, esta quarta-feira, dia 6 de maio, um conjunto de propostas concretas destinadas a erradicar a violência nos recintos desportivos. O encontro, que reuniu as cúpulas do futebol e do Estado, visou preparar as próximas competições num ambiente de maior segurança, algo que impacta diretamente os clubes e adeptos de todo o Norte e da comunidade marcoense que acompanham o fenómeno desportivo.

À saída da reunião, o presidente da FPF, Pedro Proença, classificou o encontro como "muitíssimo importante", destacando ter registado "um acolhimento muito grande por parte do Governo" às medidas propostas, bem como "uma sensibilidade conjunta muito positiva". O líder federativo assumiu que o objetivo é "projetar as novas épocas desportivas a respirar-se de forma diferente".

Fan ID e plataforma centralizada de controlo de acessos

No comunicado oficial enviado às redações, a FPF detalhou nove medidas capitais, com forte incidência no controlo de quem entra nos estádios. Entre as propostas mais relevantes está a "criação de uma plataforma centralizada de controlo de acessos nas competições" e a "introdução de ingressos nominativos (Fan ID) nas competições onde tal seja viável".

Estas ferramentas visam, segundo o organismo, estar "eliminando o anonimato e reforçando a responsabilização individual" dos espetadores. Pedro Proença reforçou que "o fenómeno da violência é um fenómeno transversal", não sendo exclusivo do desporto, mas antes ligado a "novos fenómenos de ódio, de intolerância que toda a sociedade civil portuguesa vive".

Reforço de revistas e sanções para adeptos proibidos

A segurança operacional nos dias de jogo é outra das frentes de intervenção. A FPF solicitou o "reforço das revistas de segurança por parte das forças de segurança em eventos de maior risco", com o intuito claro de estar "prevenindo a introdução de pirotecnia, armas e objetos proibidos".

A federação exigiu também a "aplicação efetiva da medida acessória de apresentação em esquadra para adeptos proibidos de frequentar recintos desportivos", assegurando que quem está castigado não contorne a lei. No plano jurídico e regulamentar, a FPF propôs a "criação de mecanismos de identificação de adeptos" e uma maior celeridade processual, além do "reforço das medidas regulamentares de combate à violência", apelando à colaboração direta dos clubes na penalização de comportamentos inadequados.

Prevenção socioeducativa e profissionalização de gestores

Para além da vertente punitiva, as propostas contemplam uma dimensão pedagógica. O documento sugere a aposta em "ações de prevenção socioeducativa" promovidas pela Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD). A FPF defende ainda a "valorização e formação contínua dos gestores de segurança", pretendendo estar "profissionalizando esta função essencial no contexto desportivo".

A federação lembrou ainda que já avançou internamente com "86 medidas para o agravamento das sanções disciplinares" nos seus regulamentos. No encontro estiveram presentes a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, o presidente da Liga de Clubes, Reinaldo Teixeira, e o líder da FPF. Pedro Proença concluiu que o futebol deu hoje "um ato demonstrativo da sua capacidade e de liderança nestes processos" de autorregulação.