logo-a-verdade.svg
Penafiel
Leitura: 8 min

InspiraSom volta aos ecrãs: Grupo de Penafiel selecionado para edição especial "d'os melhores" das 'Estrelas ao Sábado'

A Academia de Música InspiraSom, situada na pitoresca zona das Termas de São Vicente, em Penafiel, é muito mais do que um mero espaço de ensino musical.

Redação

Vocacionada para a educação artística e comunitária, a escola tem promovido eventos e concertos solidários na região, mas foi uma aposta improvável nas raízes da música portuguesa que a catapultou para a ribalta.

O que começou com uma ideia para contrariar o isolamento das aulas individuais levou um grupo de jovens talentos a brilhar em programas de horário nobre na televisão nacional, como o The Voice e o Estrelas ao Sábado.

No centro deste projeto de sucesso está Bárbara Teixeira, mentora, professora e verdadeira força motriz da academia. Natural das Termas de São Vicente, a docente viu o seu percurso crescer de forma orgânica. “Antes de abrir a academia dava aulas particulares em casa. Uma vez que já tinha um número elevado de alunos, decidi abrir a academia há quatro anos”, recorda.

A jornada começou a solo, mas o crescimento sustentado pelo passa-a-palavra e pelas redes sociais fez com que o projeto ganhasse asas. “Foi crescendo aos poucos. Comecei sozinha, depois juntaram-se outros professores de outras disciplinas (...) de ano para ano têm aparecido novos alunos e as coisas têm corrido bem, graças a Deus”, partilha a professora.

Uma verdadeira família unida pelos acordes

Na InspiraSom, a relação entre quem ensina e quem aprende ultrapassa largamente os moldes tradicionais. O ambiente respira familiaridade. “Tenho aqui alunos que já fazem aulas comigo há cerca de dez anos então já é muito mais do que professor-aluno a relação que eu tenho com eles”, confidencia Bárbara Teixeira.

Para a docente, a proximidade é uma pedra basilar do seu método de ensino. “Gosto de conversar com eles sobre a escola, a faculdade, o que é que eles querem seguir e gosto sempre de os acompanhar ao longo desta jornada”, sublinha, evidenciando o papel de mentoria que assume na vida destes jovens.

Foi precisamente desta profunda ligação e da vontade dos alunos, muitos deles a entrar na adolescência, que nasceu a semente para o atual grupo de sucesso. “O contexto atual são momentos mais individuais. Professor-aluno acaba por não haver aquele convívio com outros colegas e é normal que eles cheguem a essas idades e queiram também tocar em conjunto”, explica.

O desafio da música tradicional: do ceticismo à mestria

Pressionada pelos jovens para criar uma dinâmica de grupo, Bárbara decidiu inovar. Como a academia já contava com coros, combos e bandas modernas, a professora quis ir mais longe.

“Surgiu a ideia de ser um grupo de instrumentos tradicionais. Achava que fazia todo o sentido, visto que seriam tão jovens, as tradições têm que ficar para eles mesmo”.

Contudo, a receção inicial esteve longe de ser calorosa. “Quando surgiu a ideia (...) inicialmente eles não acharam muita graça.", recorda, entre risos. Mas Bárbara insistiu. Sabia que, num panorama onde os jovens “fogem mesmo dos instrumentos tradicionais” e onde “vários ranchos não têm músicos para fazer as saídas e os ensaios”, cabia-lhe a ela, enquanto educadora, inverter a tendência.

“Acho que cabe a mim um bocadinho passar essa mensagem de que os instrumentos tradicionais são importantes, que realmente fazem parte das nossas tradições e que não podemos deixar morrer as nossas tradições”, defende com convicção.

O resultado desta teimosia pedagógica foi notável. Se há dois anos “ninguém dos elementos do grupo tocava cavaquinho, ninguém tocava bandolim”, hoje o cenário é radicalmente distinto.

“Passado dois anos que existe o grupo, já quase todos tocam cavaquinho, já quase todos tocam bandolim, só tocam o adufe também. Tem corrido mesmo muito bem e eles agora têm reagido super bem a este projeto”.

A preservação da memória vai além dos instrumentos e estende-se ao repertório, que inclui “Simone de Oliveira, José Cid, música já com bastantes anos que eles nem conhecem”, mas que Bárbara faz questão de lhes apresentar.

A aventura na televisão: um salto espontâneo para a fama

O talento construído em Penafiel depressa pediu palcos maiores, mas a chegada à televisão aconteceu da forma mais despretensiosa possível. Em julho do ano passado, o grupo participou no programa The Voice Gerações da RTP1.

“Não foi nada muito pensado. Nós vimos a publicação nas redes sociais do The Voice e foi assim, mesmo sem expectativas nenhumas, sem preparação nenhuma específica. Foi: 'E se nos inscrevêssemos? O que é que vocês acham? E porquê não?'”, conta Bárbara, garantindo que foi uma “ideia espontânea” e que nunca tinham treinado músicas com o propósito de ir à televisão.

O "bichinho" das câmaras pegou e, logo em setembro, a InspiraSom rumou ao programa Estrelas ao Sábado, também da estação pública. Aqui, o grupo sentiu-se em casa. “Gostámos mais deste programa, do Estrelas ao Sábado. A equipa é mais pequena, é um ambiente mais familiar, deixa-nos extremamente à vontade mesmo, é como se fosse uma família ali no estúdio”.

O sucesso foi retumbante. Com uma “excelente votação por parte do público”, alcançaram as semifinais em dezembro, onde o sonho da vitória lhes escapou por uma margem ínfima: “ficámos a 1% de alcançar a final”.

Contudo, o carisma dos jovens de Penafiel deixou a sua marca. Recentemente, a produção do programa voltou a contactá-los para uma edição muito especial. “Eles vão fazer uma edição só com os melhores participantes que por lá passaram nestas edições dos últimos anos (...) Fomos um dos grupos selecionados e claro, em centenas e centenas de grupos, ficámos super felizes por esta oportunidade”, celebra a professora.

Um apelo ao voto e à exploração musical

Com o regresso à televisão agendado para o próximo dia 21 de março, a partir das 14 horas na RTP1, Bárbara Teixeira lança um forte apelo à comunidade: “Gostava imenso e apelava a todas as pessoas que assistissem às nossas atuações e que nos ajudassem a passar à próxima fase”.

Para além dos votos e dos ecrãs, a missão principal da Professora Bárbara e da Academia InspiraSom continua intacta: convidar mais pessoas a descobrirem a magia dos instrumentos. “Fazemos muitas aulas experimentais (...) às vezes vêm com a ideia da guitarra e depois optam por outro instrumento. Acho que, acima de tudo, se existe uma pequenina vontade, devem vir experimentar”.

Numa era marcada pela ansiedade jovem, Bárbara deixa uma certeza final: “A música é uma mais-valia no dia-a-dia deles, visto que hoje em dia também têm muita pressão da escola, e acho que isto é um bom escape. Além de aprender música, também têm a oportunidade de socializar com outros colegas. A música está presente em tudo na nossa vida”.