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Sociedade
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Agricultores do Norte estimam 25 milhões de euros em prejuízos; Douro concentra 70% dos casos

Os agricultores da região Norte apresentaram 1.695 declarações de prejuízos decorrentes do recente mau tempo, totalizando uma estimativa global de 25 milhões de euros.

Redação

Segundo dados revelados pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), a sub-região do Douro é a mais afetada, concentrando cerca de 70% das participações submetidas.

Danos estruturais no património mundial

A maioria das declarações provenientes do Douro relaciona-se com deslizamentos de terras e danos em muros de suporte. A Casa do Douro, sediada no Peso da Régua, alertou para a gravidade da situação, destacando o colapso de muros de xisto (elementos fundamentais da paisagem classificada pela UNESCO) e a destruição de infraestruturas tradicionais, como caminhos agrícolas e linhas de água.

Processo de levantamento e apoios

O reporte dos danos tem sido efetuado através de uma plataforma digital disponibilizada pela CCDR-N desde o dia 28 de janeiro. As autoridades sublinham os seguintes pontos sobre o processo:

  • As declarações servem para sinalizar danos e estimar valores, não constituindo ainda uma candidatura formal a financiamento.

  • A informação recolhida será validada pelos serviços competentes para a preparação de medidas de apoio ajustadas à realidade local.

  • Os viticultores podem atualizar as declarações caso surjam novos prejuízos.

Crise no setor vitivinícola

A Casa do Douro recordou que este temporal atinge um setor já fragilizado e "descapitalizado" após anos de dificuldades na comercialização. A associação classificou o ano de 2024 como "trágico", com vinhas por vindimar e entregas de vinho sem garantia de pagamento, enquanto as obrigações fiscais e bancárias dos produtores se mantêm inalteradas.

Este levantamento surge na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que causaram 16 vítimas mortais em Portugal e elevados danos materiais, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo. A situação de calamidade nos 68 concelhos mais atingidos terminou oficialmente a 15 de fevereiro.