logo-a-verdade.svg
Penafiel
Leitura: 2 min

Ordem dos Médicos do Norte acompanha "situação grave" na ULS Tâmega e Sousa após ultimato de internistas

A Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos (SRNOM) manifestou hoje, dia 22 de dezembro, a sua preocupação face ao alerta lançado pelos médicos do Serviço de Medicina Interna da Unidade Local de Saúde (ULS) do Tâmega e Sousa relativamente à sobrecarga assistencial vivida na instituição.

Redação

A entidade assegurou que irá acompanhar o processo e intervir, no âmbito das suas competências, para promover a procura de soluções que "salvaguardem a qualidade dos cuidados e a segurança dos doentes".

A posição da SRNOM surge após ter recebido um comunicado dos clínicos, onde é relatada a gravidade da situação.

Rutura nos serviços e definição de "linhas vermelhas"

Na "Posição dos médicos do Serviço de Medicina Interna sobre limites assistenciais e segurança dos doentes", divulgada pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM), os profissionais alertam que, apesar de o hospital funcionar historicamente em sobrecarga, a pressão atual sobre os internamentos atingiu um "ponto crítico". Nas últimas semanas, verificou-se um "pico assistencial" contínuo que ultrapassa todos os limites previamente observados.

Face a este cenário, os médicos estabeleceram limites claros:

  • Recusa de internamentos inseguros: Os signatários avisam que não aceitarão mais doentes em "condições irregulares, inseguras ou indignas", especificamente fora das enfermarias ou das unidades de transição.

  • Limite de doentes: Foi estabelecido um limite máximo de 166 doentes internados no Serviço de Medicina Interna na Unidade Padre Américo, em Penafiel.

  • Responsabilidade Hierárquica: Atingido esse limite, ou não havendo condições dignas, os médicos "não tomarão decisões que coloquem em risco os doentes", passando a responsabilidade de realizar o internamento para o superior hierárquico.

Apesar destas medidas, os internistas garantem que estarão assegurados "todos os cuidados urgentes e inadiáveis aos doentes". O documento é descrito pelos próprios como uma decisão ponderada, tecnicamente fundamentada e tomada em defesa da ética médica e da missão do hospital.

Apoio Sindical

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) manifestou o seu apoio "total, inequívoco e incondicional" aos médicos da ULS do Tâmega e Sousa, classificando o documento subscrito como "tecnicamente irrepreensível, eticamente obrigatório e juridicamente prudente". O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN), estrutura integrante da FNAM, já exigiu explicações formais e solicitou uma reunião ao Conselho de Administração da ULS.