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Opinião
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Falar de “Diabetes” devia ser crime

Sempre disse, e mantenho, que falar de “diabetes” devia ser crime.

Redação

E explico porquê: a doença “diabetes” não existe.

Existem diabetes tipo 1, tipo 2, gestacional e, na minha opinião, também uma “tipo 3”, que é a família dos diabéticos tipo 1, aqueles que vivem diariamente a doença ao lado de quem a tem, partilhando cuidados, receios e responsabilidades.

Quando se fala em “diabetes” de forma genérica, mistura-se tudo.

E ao misturar, comete-se uma injustiça profunda com as pessoas que vivem com diabetes tipo 1.

Porque a diabetes tipo 1 não se previne.

Não é consequência de maus hábitos, nem de falta de cuidado, nem de escolhas erradas.

É uma doença autoimune, que surge sem aviso e sem culpa.

É, no fundo, uma questão de azar, ou como costumo dizer, de “não sorte”.

No entanto, todos os anos, por ocasião do Dia Mundial da Diabetes, vemos campanhas, anúncios e até discursos médicos a falar em “prevenção da diabetes”, “estilos de vida saudáveis para evitar a diabetes” ou “combater a epidemia da diabetes”.

E cada vez que isso acontece, milhares de pessoas com tipo 1 sentem-se invisíveis e injustiçadas.

Porque essas mensagens passam a ideia errada de que a diabetes é uma única realidade, uma condição que se poderia ter evitado.

E isso é discriminatório.

É injusto e é doloroso, sobretudo para as crianças e famílias que vivem com tipo 1 e que se veem forçadas a justificar algo que não podiam evitar.

Até a própria classe médica, muitas vezes, cai nessa generalização.

Falar corretamente não é um detalhe, é uma forma de respeito.

As palavras moldam a perceção pública e, com ela, o preconceito ou a empatia.

Por isso, sim, falar de “diabetes” devia ser crime.

Porque quando se fala de forma errada, alimenta-se a desinformação e perpetua-se a discriminação.

A mudança começa pela linguagem, e o primeiro passo é reconhecer que “diabetes” não é uma só doença.

 O meu apelo é simples: a todos os profissionais de saúde, jornalistas, professores e comunicadores, falem com rigor. Digam “diabetes tipo 1”, “diabetes tipo 2”, “diabetes gestacional”. Cada uma tem causas, desafios e histórias diferentes.

Usar as palavras certas é um gesto pequeno, mas é também um ato de justiça e de respeito por quem todos os dias vive e luta com a tipo 1, sem culpa, mas com enorme coragem.

Cristina Mendes