A crise foi desencadeada por ataques coordenados de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, que resultaram na morte do líder supremo, o aiatola Khamenei, e na subsequente retaliação de Teerão.
A suspensão do trânsito no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais críticas do mundo, está a gerar um choque imediato nos mercados energéticos e financeiros, com analistas a alertarem para a possibilidade de o preço do petróleo ultrapassar a barreira dos 100 dólares por barril.
A crise foi desencadeada por ataques coordenados de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, que resultaram na morte do líder supremo, o aiatola Khamenei, e na subsequente retaliação de Teerão.
Nas primeiras negociações de hoje, 2 de março de 2026, os preços dos hidrocarbonetos registaram subidas abruptas:
Petróleo Brent: O barril de referência na Europa disparou 9,98%, atingindo os 80,14 dólares.
Petróleo WTI: O crude norte-americano subiu 9,21%, fixando-se nos 73,19 dólares.
Gás Natural (TTF): O contrato de referência europeu aumentou 24,89%, para 39,91 euros.
Ouro: Como valor de refúgio, a onça de ouro valorizou 2,53%, situando-se nos 5.412,75 dólares.
O Estreito de Ormuz é atravessado por cerca de 20% a 25% da produção mundial de petróleo e uma parte significativa do gás natural liquefeito (GNL). Segundo Paolo Zanghieri, economista da Generali AM, o fecho desta via "poderia reduzir a produção global de petróleo em cerca de 15 a 20%".
Embora a reação inicial tenha sido forte, especialistas dividem-se sobre a duração e a magnitude da crise:
A Fasquia dos 100 Dólares: Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, adverte que "quanto mais tempo o conflito persistir e o petróleo do Golfo permanecer retido na região, maior será a probabilidade de os preços continuarem a subir, podendo aproximar-se da fasquia dos 100 dólares por barril".
Reação Moderada: Kathleen Brooks, diretora de pesquisa da XTB, considera que "as reações dos mercados financeiros permanecem moderadas por enquanto" dada a magnitude do evento, não se verificando ainda uma "derrota" generalizada.
Papel da OPEP+: Para mitigar a perda das exportações iranianas, a OPEP+ decidiu aumentar a oferta em 206 mil barris por dia, embora a eficácia desta medida dependa da reabertura do estreito.
O bloqueio levou grandes companhias marítimas, como a Maersk e a MSC, a suspender ou desviar rotas, após o Irão advertir que o trânsito no estreito já não é seguro.
Nas bolsas mundiais, o cenário é de recuo generalizado, com quedas significativas em Madrid (-2,96%), Milão (-2,23%) e Frankfurt (-2,09%). A nível setorial, o impacto é contrastante:
Setores Penalizados: Aviação e Turismo sofreram quedas acentuadas devido à perspetiva de menor atividade e aumento de custos. A AirFrance-KLM caiu 7,24% e a Accor 9,50%.
Setores Beneficiados: Empresas de Defesa (como a BAE Systems, +7,20%, e a Thales, +5,61%) e de Energia (Shell, +5,32%, e Equinor, +7,81%) registaram fortes ganhos impulsionados pela escalada militar e subida dos preços do crude.
Os investidores mantêm-se agora atentos ao risco de uma inflação mais elevada e a possíveis perturbações prolongadas nas cadeias de abastecimento globais.