A comissão recorda no documento que detém "parecer vinculativo" neste dossiê. Apesar de não ter emitido um parecer na fase inicial de preparação do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) dentro do prazo legal, a entidade argumenta que o mecanismo de parecer favorável tácito tem uma "natureza estritamente procedimental". Este formato visa apenas "prevenir bloqueios administrativos por ausência de pronúncia atempada", não podendo por isso "ser interpretado como renúncia à avaliação substantiva de projetos com elevado impacto em áreas classificadas".
Segundo o EIA, o projeto prevê a implementação do equipamento numa área de 21 hectares, dos quais "cerca de sete serão ocupados com painéis solares", num território que abrange os concelhos de Baião e Amarante. A produção anual líquida estimada seria de 24,86 gigawatt-hora, exigindo trabalhos de construção com uma duração prevista de um ano e uma fase de exploração de 30 anos.
A contestação a esta central solar tem sido notória em toda a região envolvente. A consulta pública do projeto, que encerrou a 24 de abril, recolheu 665 participações. Paralelamente, uma petição pública reuniu 6.682 assinaturas contra a obra. A Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade (FAPAS) também se posicionou oficialmente contra, afirmando que a infraestrutura vai "levantar impactos e riscos significativos ao nível ambiental, ecológico, paisagístico e social", juntando-se assim ao parecer negativo já emitido pela Câmara Municipal de Baião e às vozes críticas da comunidade amarantina e marcoense.