A Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) apresentou o estudo “Diagnóstico à Profissão 2025”, que revela um agravamento da instabilidade económica e da falta de reconhecimento profissional, fatores que estão a levar cada vez mais médicos dentistas a emigrar. A OMD defende medidas estruturais no Orçamento do Estado para 2026 (OE26) para travar a perda de talento e garantir a sustentabilidade do setor.
Segundo o estudo, 7% dos médicos dentistas portugueses já trabalham no estrangeiro, sobretudo em França, Reino Unido e Suíça. Entre estes, 16,1% emigraram no último ano e quase metade está fora há mais de cinco anos. Apenas 18% tencionam regressar. As razões apontadas incluem baixos rendimentos (55%), falta de valorização (48,3%) e procura de melhor qualidade de vida (43,9%). Entre os profissionais com menos de 30 anos, 41,7% consideraram emigrar ainda antes de terminar o curso.
A precariedade é um dos principais problemas identificados: 60,4% têm remuneração variável dependente dos tratamentos realizados, muitos trabalham a recibos verdes e 70% dividem-se entre várias clínicas. A maioria considera que o rendimento não corresponde às habilitações nem às horas de trabalho. O peso dos seguros e planos de saúde é também apontado como fator de instabilidade por 82,4% dos inquiridos.
O bastonário Miguel Pavão alerta que a perda de profissionais representa um risco económico e social para o país, reduzindo a capacidade de resposta do sistema e agravando desigualdades no acesso à saúde oral.
Para inverter esta tendência, a OMD propõe quatro medidas prioritárias para o OE26: criação da carreira de médico dentista no SNS, afetação de 30% da receita do imposto sobre bebidas açucaradas à saúde oral, ativação dos gabinetes equipados com fundos do PRR que permanecem encerrados e reformulação do programa “Cheque-Dentista”.
A Ordem sublinha que estas medidas são essenciais para reforçar a estabilidade, valorizar a profissão e garantir a permanência dos médicos dentistas em Portugal.
