Em Portugal há cinco anos, Girlane começou por treinar Ginástica Artística no CBP. Contudo, a sua verdadeira paixão falou mais alto quando percebeu que havia terreno por desbravar. "Nenhuma ginasta tinha conhecimento da modalidade. Imaginavam que era artística", explica. Foi preciso ensinar, passo a passo, que esta é a ginástica dos aparelhos: a bola, a fita, o arco, as maças e a corda.
E entre eles, há um favorito indiscutível. "O sonho delas é fazer a fita", confessa a treinadora. É o aparelho que deixa as alunas "encantadas" pela beleza visual, mas Girlane é rápida a explicar a dura realidade técnica por trás da magia: "A fita é o aparelho mais difícil da modalidade. Qualquer detalhe perde muitos pontos".
Por norma da Federação Internacional, a fita está geralmente reservada para ginastas juniores ou seniores (a partir dos 14 anos). "Eu acredito que elas tenham esse sonho, mas é preciso muito trabalho para lá chegar", adverte, mantendo os pés das suas atletas bem assentes na terra antes de as deixar voar com a fita.
Hoje, Girlane coordena um autêntico "exército" de quase 180 atletas. Estão espalhadas pelo CBP (Penafiel), Aparecida FC (Lousada), EB de Baltar e pelos Conservatórios de Dança de Paredes e Paços de Ferreira.
Mas, a realidade no Vale do Sousa é dura quando comparada com os grandes centros. "No Porto, clubes como o Boavista ou o Guimarães treinam todos os dias. A ginástica lá é muito forte", reconhece. Em contraste, em Lousada (Aparecida), Girlane fala num "verdadeiro milagre". Com acesso limitado ao pavilhão: treinam apenas uma hora e meia às quartas e sextas, e um pouco mais ao sábado, a treinadora tem de rentabilizar cada segundo.
Para isso, não está sozinha. Conta com uma equipa técnica que inclui uma treinadora ucraniana, uma brasileira e monitoras como a campeã Sâmile Moura (a única atleta que já tinha experiência prévia). "Enquanto uma monitora faz o alongamento, eu estou a fazer autocorreções e a montar as séries. Tem de ser tudo cronometrado, é corrido, mas damos conta".