Quando chegou aos Bombeiros Voluntários de Lousada, Antero Correia percebeu que “havia muita coisa a fazer” e na qualidade de tesoureiro foi “começando um trabalho de orientação” da associação. A sucessão para presidente da associação, há cerca de sete anos, foi uma “continuidade” do trabalho que já tinha feito enquanto tesoureiro e agora “cá estamos na evolução constante da associação”, garante Antero Correia.

Como presidente dos Bombeiros Voluntários de Lousada o principal desafio proposto, inicialmente, foi “estruturar o comando da associação”, que estava sem comandante “há mais de 30 anos”. Hoje, são “muitas as necessidades”, principalmente, ao nível das instalações, as que “mais preocupam”, o presidente. “Depois há sempre dificuldades nos equipamentos e nas divisórias de proteção, que são uma necessidade constante e que se vai colmatando”, acrescenta. Também o número de viaturas disponíveis se assume como uma necessidade “urgente”, mas as instalações não permitem receber mais. “Neste momento se comprarmos viaturas já não temos espaço e até na rua já é difícil estacioná-las”, explica Antero Correia.

Antero Correia, Presidente Bombeiros Voluntários de Lousada

Para ultrapassar essas carências materiais, o presidente aponta para a necessidade de fazer crescer o número de sócios. “Ao nível de sócios são 4200. Tínhamos uma campanha de sócios a decorrer que tem estado parada por causa da COVID-19, mas contamos relançá-la outra vez para angariar mais sócios”. Um número que Antero Correia espera ver crescer “entre os sete e os dez mil”.

Na sua maior preocupação, as instalações dos Bombeiros Voluntários de Lousada, o presidente revela que existe um projeto a ser avaliado. “Ainda estamos indecisos. Estou a tentar negociar os terrenos”. O espaço atual é “demasiado pequeno, sem condições e sem camaratas condignas” para o conforto da corporação é o que “mais preocupa” Antero Correia. “Hoje dormir numa camarata com oito ou nove pessoas é inadmissível, atendendo ao contexto que estamos a viver”, salienta. Apesar de todas essas necessidades, os equipamentos de proteção individual e a formação são investimentos constantes “importantes” que o presidente da associação não permite que “faltem a toda a corporação”.

A toda a população do concelho de Lousada, Antero Correia apela à sua inscrição enquanto sócios da associação. “Ser sócio dos bombeiros é uma mais valia por tudo aquilo que podemos dar à população”, ressalva o presidente que espera no futuro poder contar “com toda a população de Lousada para colmatar todas lacunas”. Antero Correia dedica também algumas palavras aos bombeiros para que “todos os dias que se apliquem, aproveitem as formações que vão sendo disponibilizadas e para que sejam melhores bombeiros no dia-a-dia”. O presidente não tem dúvidas de que tem dos “melhores bombeiros a nível nacional” e, por isso, está “empenhado” em proporcionar-lhes as melhores condições.

José Carlos Aires, Comandante Bombeiros Voluntários de Lousada

Ser bombeiro é para muitas famílias uma herança que passa de pais para filhos e de avós para netos. Para José Carlos Aires, Comandante dos Bombeiros Voluntários de Lousada, “não foi diferente”, como o próprio revela. Bombeiro desde os 19 anos, assume o comando atual há três anos após um convite feito pelo presidente Antero Correia. “Quando fui convidado não integrava nenhum corpo de bombeiros, e aceitei o desafio do Presidente para assumir o Comando, sabendo que me esperava um enorme desafio, sem dúvida o meu maior desafio até à data, revela.

Na sua chegada aos Bombeiros Voluntários de Lousada uma das prioridades foi “aumentar” o número de ambulâncias que eram “insuficientes dado ao aumento das solicitações no pré-hospitalar. Nestes três anos foram compradas duas ambulâncias de socorro e duas ambulâncias de transporte de doentes não urgentes para assegurar o socorro e transporte a um concelho com mais de 50 mil habitantes”.

A aposta na formação para uma melhor prestação de socorro, foi uma das “exigências” colocadas à direção. “É muito difícil motivar os homens e mulheres que vestem esta farda, quando não têm um espaço condigno para dormir, fazer instrução e guardar os veículos dentro de portas”.

Para além das necessidades já apresentadas pelo presidente dos Bombeiros Voluntários de Lousada, José Carlos Aires alerta para a “preocupante diminuição de novos bombeiros” na adesão às Escolas de Estagiários. Atribui esse facto às “múltiplas distrações” às quais os jovens têm à disposição, uma “facilidade que leva a que os bombeiros “não sejam tão atrativos” para eles. Para além disso são “poucas as valorizações” que são dadas aos Bombeiros Voluntários, que “pagam para o ser”, salienta o comandante.

 A corporação tem na sua Área de Atuação Própria (AAP) o concelho de Lousada, uma “responsabilidade que existe em poucas corporações no país”. Atualmente, o comandante reconhece que já é difícil contratar Bombeiros profissionais porque “cada vez mais não é uma profissão compensatória”. Nos Bombeiros Voluntários de Lousada são cerca de 30%” os efetivos com vínculo profissional, que asseguram o socorro e o transporte de doentes não urgentes durante o dia (os quais também são voluntários). Os restantes , “estão por paixão e dedicação ao próximo”. Como nos explica José Carlos Aires, o socorro é assegurado “mas com naturais limitações humanas e materiais, não por se tratar de uma associação humanitária “sem fins lucrativos”, e que obriga a uma gestão “muito rigorosa”, mas sim pelo “natural limite das coisas”.

José Carlos Aires acredita que a população, por desconhecimento, “não tem ideia” de como funciona um Corpo de Bombeiros. Para alguns a nossa capacidade de resposta ao socorro é ilimitada. Quando esgotamos os recursos humanos e/ou materiais ao nosso dispor, não podemos fazer mais. Se não podemos acorrer a uma chamada de socorro no imediato é porque os recursos estão esgotados. Resta-nos o toque de sirene, é para isso que ela existe, chamar os voluntários que tenham disponibilidade e deixem as suas vidas para acorrer à chamada. Quando toca a sirene, entendam que o Corpo de Bombeiros da sua área está no limite das suas capacidades de responder às solicitações. Compreendo que quem espera auxílio cada minuto que passa parece mais tempo, mas compreendam que queremos e fazemos o nosso melhor com o que temos.

Os últimos dois anos foram reveladores da capacidade dos Bombeiros (de Lousada em particular) em resistir sem abstenções à pandemia que nos assolou, e por isso, José Carlos Aires reconhece e agradece a resiliência e o sacrifício demostrados por todas(as) Bombeiros(as) de Lousada, merecedores dum profundo orgulho da população de Lousada.

Por último, apela aos jovens com idades entre os 18 e 45 anos, que se inscrevam no Bombeiros Voluntários, pois temos que assegurar a continuidade dos Corpos de Bombeiros Voluntários. Juntos seremos mais fortes, não tenho dúvidas! Abraço