Henrique Pinto é um jovem investigador que venceu uma bolsa no valor de um milhão de euros para continuar a investigação durante quatro anos.
O interesse pela ciência surgiu cedo. “Quando era pequeno já dizia que queria ser cientista. Nunca quis ser médico, apesar de ser o caminho mais comum quando alguém se interessa por estas áreas. Sempre me atraiu mais o ‘back office’, investigar, descobrir curas para as doenças”, recorda. Sem antecedentes familiares na área da Saúde, Henrique encontrou inspiração numa tia professora de Físico-Química, que lhe despertou o gosto pela ciência ainda antes do ensino secundário.
Foi nessa fase que começou a desenhar o seu percurso académico. A escolha recaiu sobre Bioengenharia, por aliar as ciências da saúde às engenharias. Ingressou na Universidade do Porto, entre a FEUP e o ICBAS, onde concluiu o Mestrado Integrado, especializando-se em Engenharia Biomolecular, a vertente mais ligada à investigação científica. “Sempre tive um grande interesse pelas Neurociências, em especial pelo Alzheimer. A minha bisavó teve a doença e, mesmo que de forma inconsciente, isso marcou-me. A ideia de nos irmos perdendo ao longo do tempo tocou-me profundamente”, confessa.
Esse interesse levou-o a procurar um doutoramento com forte componente prática, caminho que o conduziu até à Holanda. Em Amesterdão, Henrique desenvolve um projeto inovador que visa criar modelos laboratoriais dos vasos sanguíneos do cérebro, utilizando células de pacientes com e sem doença. “O objetivo é construir um modelo o mais semelhante possível ao cérebro humano em laboratório e perceber como determinados fármacos atuam nestes vasos sanguíneos”, explica. A metodologia poderá abrir portas a novos avanços no tratamento do Alzheimer e de outras doenças neurodegenerativas.
O doutoramento na Holanda distingue-se também pelo enquadramento profissional. “Aqui, os doutorandos são vistos como trabalhadores, temos contrato e salário, o que dá uma estabilidade diferente. É muito ‘mãos à massa’ e isso faz toda a diferença”, sublinha. Ainda assim, emigrar não foi fácil. A primeira experiência no estrangeiro aconteceu durante o Erasmus, em 2020, em pleno início da pandemia. “Foi uma verdadeira terapia de choque. Estar fora num período tão instável ensinou-me que, com uma boa rede de apoio e comunicação, tudo se consegue.”
