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Paredes
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III Bienal das Artes em Madeira arranca em Paredes com abertura experimental do Museu do Mobiliário

O concelho de Paredes deu, esta terça-feira, dia 29 de setembro, o pontapé de saída para a III Bienal Internacional das Artes em Madeira de Paredes (BIAMP), iniciativa cultural e patrimonial que decorre entre 29 de setembro e 30 de novembro.

Redação

O momento alto do arranque ficou marcado pela abertura de portas, em regime de visitas experimentais, do novo Museu do Mobiliário de Paredes, o primeiro equipamento museológico municipal, instalado no histórico Mosteiro de Vilela, cuja inauguração oficial está agendada para meados de outubro.

A cerimónia de abertura contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Paredes, Alexandre Almeida, do vice-presidente, Francisco Leal, da vereadora com o pelouro da Cultura e Turismo, Beatriz Meireles, e do presidente da Assembleia Municipal, Elias Barros. O evento reuniu ainda representantes do setor do turismo e famílias de mestres locais, destacando-se a homenagem prestada às tradições e aos trabalhadores da indústria do mobiliário.

Beatriz Meireles projeta internacionalização e valorização patrimonial

Na sua intervenção, a vereadora Beatriz Meireles assinalou o regresso do certame "num local privilegiado - o Museu de Mobiliário de Paredes, Mosteiro de Vilela, coração deste grande evento, que abrirá portas pela primeira vez para homenagear os mestres das artes e ofícios da madeira, os homens e as mulheres de Paredes". A responsável caracterizou o projeto como "um sonho que todos tínhamos há muito na cabeça e que é agora uma realidade, que continuará a afirmar Paredes também pela cultura e turismo".

Invocando reflexões do poeta William Blake, de Aldous Huxley e do cardeal José Tolentino de Mendonça, a vereadora destacou a audácia política necessária para transformar o antigo edifício do Mosteiro de Vilela num espaço museológico de referência. "Fomos realmente audaciosos, criativos, até para contornarmos as dificuldades da viagem que naturalmente surgem, nascendo assim o Museu do Mobiliário de Paredes. As portas que agora se abrem não são mais para fechar", garantiu a autarca.

Beatriz Meireles revelou também que o novo equipamento nasce acompanhado por uma candidatura em curso a nível nacional ao Património Cultural Imaterial e pela integração na Rede Portuguesa de Turismo Industrial, um trabalho financiado pelo Programa Cultura e Turismo Sustentáveis. A vereadora frisou que o objetivo passa por cumprir todas as exigências para que o espaço possa integrar também a Rede Portuguesa de Museus e situar-se ao nível do que melhor se faz em termos internacionais.

Exposição central "Filhos da Terra, Filhos da Floresta" e diálogo artístico

O percurso pelo museu inicia-se com a exposição central da bienal, intitulada “Filhos da Terra, Filhos da Floresta”, com curadoria de Helena Mendes Pereira. O projeto ocupa a sala de exposições temporárias e mais três salas do Museu do Mobiliário, articulando criações de artistas plásticos de várias gerações que trabalham a madeira. Segundo a curadora, "a seleção procura estabelecer um circuito que interpele a história e as estórias que o Museu do Mobiliário conta, criando relações com o mundo dilacerante em que vivemos".

O acervo em exibição estabelece pontes entre o património material e imaterial, destacando-se obras de Cássia de Carvalho, Paulo Neves, Agostinho Santos e do escultor Joaquim António Puciaba, a par do diálogo com a exposição permanente com curadoria de Catarina Rocha e Minas Castanheira.

Cultura descentralizada pelas fábricas, teatro e música no concelho

A III BIAMP estende a sua programação para fora do espaço museológico, levando a criação artística diretamente para o tecido empresarial e industrial de Paredes. As instalações da empresa Fenabel acolhem uma intervenção do artista Luís Canário Rocha, enquanto a empresa Laskasas recebe o trabalho de Xosé Luís Otero.

O cartaz cultural inclui ainda a apresentação da peça de teatro “Mulheres Móveis”, pela companhia Astro Fingido, agendada para 30 de setembro, às 21h30, no Museu do Mobiliário. No domínio musical, o dia 1 de outubro é assinalado com atuações das Bandas de Música de Baltar, Vilela e Cête nos Paços do Concelho, no museu e na empresa Fibromade. A programação encerra a 26 de novembro, às 12h00, com o concerto de piano “A Mind in The Heart”, por Joana Gama, nas instalações da Farimóvel.