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Marco de Canaveses
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MAJE trocou a universidade pela arte urbana

Com apenas 19 anos, o artista marcoense largou o curso de Arquitetura para pintar sonhos em grande escala e imortalizar figuras culturais nas ruas.

Redação

Aos 19 anos, enquanto a maioria dos jovens da sua idade procura estabilidade nos corredores académicos, o artista marcoense conhecido apenas por MAJE tomou uma decisão radical. Olhou para o futuro, para as telas em branco do quotidiano e para o primeiro ano do curso de Arquitetura no Porto, e decidiu fechar esse capítulo. 

"Larguei a universidade porque tinha possibilidades e queria mesmo seguir o meu sonho, que foi a pintura. Disse para mim mesmo que ia arriscar um ou dois anos. Se começasse a dar certo, continuava", recorda o jovem artista marcoense.

Enquanto constrói o seu caminho no mundo da arte urbana, mantém os pés na terra. Divide o tempo entre as suas produções artísticas e o trabalho a tempo parcial como professor de Expressão Musical e Artística com crianças do primeiro ciclo. Uma ligação ao ensino que nasceu naturalmente, após ter frequentado formação musical durante cerca de uma década. Hoje, aproveita essa bagagem para estimular a criatividade das gerações mais novas.

Do papel de rascunho à primeira parede lá de casa

A paixão pelas artes visuais não surgiu de um dia para o outro. "Faço pintura desde muito pequeno. Desde o primeiro ano que a gente desenhava e pintava, inventava coisas para os meus amigos e já na altura me diziam que eu tinha uma qualidade técnica para aquilo", conta.

O salto da folha de papel para a dimensão da arte urbana deu-se nos tempos do liceu, no Marco de Canaveses. Foi através do contacto com amigos já ligados à cultura urbana e de referências de outros artistas locais que o fascínio pelas paredes da cidade ganhou forma.

A aventura começou verdadeiramente em 2023. Determinado a testar os seus limites num formato maior, lançou o desafio dentro da própria casa, para espanto da família. "Falei com os meus pais e ofereci-lhes uma parede aqui em casa. Disse-lhes: 'quero pintar aqui uma parede'. Eles diziam 'estás maluco? Vais pintar uma parede?'. Mas eu pintei a primeira e, a partir daí, ficaram viciados. Neste momento, sou o único lá em casa que pode pintar uma parede", revela entre risos.

A homenagem a Jorge Palma e a memória na rua

Uma das suas intervenções mais marcantes nasceu de forma espontânea , na sequência do impacto de uma notícia marcante sobre o músico Jorge Palma. Acompanhado por um amigo, também ele influenciado pelo gosto musical dos pais, o jovem marcoense sentiu a urgência de imortalizar o cantor num mural.

"Estávamos a ouvir as músicas dele durante a noite, cheguei a casa e pensei: 'porque é que não faço um retrato deste artista?'. Senti ali uns sinais e fiz o trabalho", descreve. Para o jovem, a arte pública cumpre esse papel fundamental de "manter as pessoas e as memórias vivas", ao mesmo tempo que devolve valor à pintura, uma disciplina muitas vezes desvalorizada no panorama cultural.

"Não desistam de seguir aquilo que gostam"


Consciente dos riscos que correu ao abandonar o ensino superior para abraçar uma carreira incerta no mundo das artes, o jovem não se arrepende. Olha para o percurso com a convicção de quem prefere falhar a tentar do que viver com a dúvida do "e se...".

Para quem observa as suas obras pelas ruas do concelho, deixa uma mensagem simples, mas convicta, dirigida sobretudo aos mais jovens: "Acho que as pessoas devem seguir o que gostam de fazer. Muita gente acaba por levar um tipo de trabalho diferente na vida só porque achava que não podia seguir o que gostava. Sigam os vossos sonhos, principalmente quando são jovens. Não desistam nem deixem de seguir aquilo que gostam", conclui.