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Sociedade
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Frente intermunicipal quer nova ponte sobre o Tâmega: Marco de Canaveses, Cinfães, Baião e Resende alertam Governo para urgência da obra

A exigência de uma nova travessia sobre o rio Tâmega uniu os municípios do Marco de Canaveses, Cinfães, Baião e Resende numa frente comum.

Redação

Perante os atrasos e as justificações apresentadas pelo Governo na recente audição da Comissão de Infraestruturas, Habitação e Mobilidade, as autarquias da região reforçaram publicamente a urgência da obra. O município do Marco de Canaveses desmente a tutela quanto à falta de estudos e acordos, enquanto os concelhos vizinhos alertam para os graves riscos na resposta a emergências médicas e no estrangulamento económico de todo o território.

A construção da nova ponte e do viaduto em Canaveses reúne consenso absoluto entre os autarcas da região e todas as forças políticas com assento na Assembleia da República. Contudo, o desenrolar das audições parlamentares deixou as autarquias apreensivas quanto à real vontade da tutela e da Infraestruturas de Portugal (IP) em fazer avançar os projetos no terreno.

Marco de Canaveses: "Fizemos a 'papinha' toda e o Governo ignorou"

Através de uma declaração oficial contundente, a Câmara Municipal do Marco de Canaveses garantiu estar de "consciência tranquila", refutando em absoluto as afirmações do Secretário de Estado das Infraestruturas e sublinhando que a autarquia "não se limitou a reivindicar", assumindo responsabilidades e custos muito além das suas competências.

O dossiê do viaduto: A autarquia esclarece que fez o projeto, a auditoria de segurança e manifestou a total disponibilidade para financiar 25% da obra. Segundo a Câmara Municipal, o projeto está aprovado e pronto a avançar desde fevereiro de 2025.

"Como se costuma dizer, fizemos a 'papinha' toda. Se o Governo quiser, a obra pode ser lançada hoje", aponta o executivo marcoense, que desmente frontalmente a tutela: "Não é verdade que o Governo aguarda por um acordo com o município para avançar. O acordo foi celebrado em 2021 e foi integralmente cumprido pela Câmara Municipal."

O dossiê da nova ponte: O cenário repete-se na reivindicação da ponte. O executivo liderado por Cristina Vieira manifestou surpresa ao ouvir o Secretário de Estado afirmar que o Governo aguardava por um estudo de tráfego desde maio de 2025. A autarquia garante que cumpriu o que estava acordado e entregou, em julho de 2025, um memorando técnico com quatro alternativas de traçado e ligações estruturantes à A4. Durante oito meses, a IP e o Governo não deram qualquer resposta. Só a 20 de março de 2026, já com a audição parlamentar marcada, foi solicitado o referido estudo de tráfego. Apesar de não ser sua obrigação realizar estudos em vias da IP, a Câmara Municipal assumiu que o fará para não atrasar mais o processo.

O município marcoense lembra que o que está em causa não é apenas a mobilidade, mas a segurança. Só desde janeiro de 2025, a única ligação existente já ficou condicionada ou interrompida 10 vezes devido a acidentes e obras, provocando quilómetros de filas. "Não é um incómodo, é um risco", conclui a autarquia.

Cinfães: Desvios de 30 quilómetros colocam vidas em risco

O estrangulamento no Tâmega tem repercussões drásticas na margem sul do rio Douro. O município de Cinfães juntou a sua voz a esta causa, focando-se no impacto direto que a falta da ponte tem na saúde e na segurança das populações.

Atualmente, sem uma alternativa viável, os constrangimentos na via obrigam a desvios na ordem dos 30 quilómetros. Para a autarquia cinfanense, as consequências são severas:

"Isto representa um risco sério em termos de mobilidade e acesso a serviços, mas principalmente implica atrasos significativos em situações de emergência, com impacto real na vida das pessoas. Para os cinfanenses, esta não é apenas uma questão de conforto ou de redução de tempo de viagem, é uma questão de segurança e de igualdade no acesso a cuidados de saúde, nomeadamente ao Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa."

A autarquia reforça ainda que adiar esta infraestrutura é continuar a penalizar um território do interior, classificando a empreitada como "uma obra de justiça territorial e de responsabilidade pública".

Baião: Constrangimentos afetam o futuro económico

Também ouvida na Comissão de Infraestruturas, Habitação e Mobilidade, a presidente da Câmara Municipal de Baião sublinhou o impacto direto da travessia na atratividade do seu concelho.

Ana Raquel Azevedo foi clara na exigência de medidas imediatas por parte da administração central:
"É evidente que esta é uma matéria central para este executivo, e que tem um impacto direto na mobilidade, na coesão territorial e na capacidade de atrair investimento, que tal como está espelhado no nosso programa de governação, são fatores decisivos para o futuro económico de Baião."

A autarca baionense apelou a um forte "sentido de urgência" para que sejam encontradas respostas concretas capazes de minimizar rapidamente os bloqueios visíveis.

Resende: Uma visão de conjunto com a Ponte da Ermida

Para fechar o círculo desta frente regional, o presidente da Câmara Municipal de Resende, Fernando Silvério, validou a importância do debate gerado no Parlamento e reconheceu que a nova ponte de Canaveses é uma estrutura que beneficiará toda a região, e não apenas o concelho vizinho.

No entanto, o autarca acrescentou um grau de exigência para o desenvolvimento integrado da região. Fernando Silvério destacou que a principal atenção do seu município se centra na necessidade de concretização da ligação entre a Ponte da Ermida e Baião.

Para o autarca, só a articulação e a execução paralela destas duas infraestruturas, a nova ponte no Marco e a ligação a partir da Ermida, poderão representar uma verdadeira e significativa mais-valia nas acessibilidades, garantindo a coesão do território do Douro, Tâmega e Sousa.