Um dos principais entraves identificados na atual rede de ensino reside na transição dos estudantes do ensino profissional secundário para os politécnicos e universidades, uma taxa que se fixa atualmente na fasquia dos 20%. Para alterar esta realidade, o ministro defendeu uma “mudança institucional e cultural” nas instituições de Ensino Superior, apontando que o ingresso de quem conclui os CTeSP e prossegue estudos ronda os 50%, um indicador que “está muito na mão das instituições”.
A descentralização geográfica e a flexibilização horária surgem como prioridades na agenda da tutela. “A questão é que muitas vezes esses estudantes já estão a trabalhar e querem frequentar um curso perto do sítio onde estão a trabalhar e isso levanta duas questões, a localização por um lado e por outro lado serem em regime pós-laboral”, sustentou Fernando Alexandre.
O governante salvaguardou que o estudante do profissional “está apto a ir trabalhar e por isso se ele quiser ir trabalhar mas depois quiser voltar ao superior, ele tem uma via”. O Ministério da Educação ambiciona que esse canal “seja alargado para que eles possam facilmente voltar ao superior, porque cada vez mais nós temos de ter estes percursos que não são definitivos”, concluindo que esta flexibilização traduz uma mudança que exige a adaptação das próprias academias.
Esta reestruturação do Ensino Superior profissional assume particular relevância no distrito do Porto e em toda a sub-região do Tâmega e Sousa, territórios com um forte tecido empresarial e industrial. O reforço das ofertas de CTeSP em regime pós-laboral e a sua descentralização respondem de forma direta às necessidades da comunidade marcoense, permitindo que os jovens e trabalhadores de Marco de Canaveses continuem a valorizar as suas competências e a progredir nos estudos sem terem de abandonar o mercado de trabalho local.