Diana Duarte, natural de Castelo de Paiva, partiu para a sua primeira missão humanitária rumo à Polónia no dia 3 de março e, hoje, regressa com cerca de 50 ucranianos e com o sentimento “de dever cumprido”.

Em 1977 as Nações Unidas proclamaram o dia 8 de março com o Dia Internacional da Mulher, que recorda as conquistas das mulheres que, ao longo da história, lutam pelos seus direitos e contra o preconceito.

O sentimento de cuidar dos outros desde sempre acompanhou Diana Duarte, uma jovem de 25 anos que ambicionava seguir a carreira de enfermeira. “Lembro-me de ser criança e sempre que visitava um hospital ficava fascinada”, relembra. O caminho que percorre teve inspiração da sua mãe, num momento em teve de cuidar dela e foi aí que teve a certeza de que queria ser enfermeira, e é hoje uma profissional “realizada”.

“Fazer o bem e poder cuidar dos outros” está intrínseco na vida Diana Duarte e de todos os enfermeiros que têm “o sentido de dever”. Por isso, quando percebeu que procuravam voluntários para acompanhar uma missão de resgate de ucranianos, não teve dúvidas em se “disponibilizar de imediato”

No dia 3 de março partiu rumo à Polónia para realizar a sua primeira missão humanitária de resgate de mulheres e crianças que fogem do conflito vivido na Ucrânia. Diana Duarte era a mais jovem da equipa de resgate, acompanhada por um tradutor e três motoristas.

A missão partiu de uma Associação de Ucranianos existente no Algarve e organizada pela Câmara Municipal de Olhão. Diana Duarte foi em representação do Algarve Biomedical Center, que a apoiou “todas as suas despesas e a alimentação das crianças”.

Foi o início da concretização de um dos seus “objetivos a nível pessoal”, poder participar e ajudar os outros. Consigo vieram 46 mulheres e crianças, de todas as idades, a mais nova com apenas quatro meses, que se viram obrigadas a fugir do país. Diana Duarte revela com felicidade que “todas as pessoas têm famílias que as vão acolher”, e está tudo a ser “orientado com as entidades responsáveis”, para que possam “num futuro próximo voltar a trabalhar e ir à escola”.

Apesar de “muito cansativa’‘, esta primeira missão foi para a jovem de Castelo de Paiva uma “experiência enriquecedora”. Na chegada à Polónia encontrou pessoas “abatidas, com medo e aterrorizadas com toda a situação”. Diana Duarte revela que o primeiro contacto foi “muito difícil” pela barreira linguística, mas também porque as pessoas estavam “preocupadas e assustadas e não confiavam”.

No regresso traz consigo mulheres e crianças “muito mais calmas e tranquilas”, pela “segurança” transmitida por toda a equipa de resgate. “Vamos fazer tudo o que pudermos para que voltem a sentir que estão em casa, apesar de não ser o país deles” garante Diana Duarte que reconhece a dificuldade de adaptação “por não falarem a mesma língua” irá acontecer, mas toda a equipa “estará disponível para ajudar no futuro”.

Todas essas mulheres e crianças passaram “muitos dias a caminhar ao frio e a dormir ao relento” e, por isso, na chegada a Portugal serão avaliadas por uma equipa médica.

O agradecimento no olhar que Diana Duarte recebe de cada um dos que traz consigo “vale por todo o esforço” e todas as missões que venha a fazer. “As pessoas estão numa situação que não conseguem cuidar delas e nós podemos fazer isso. Conseguimos sentir o que as outras pessoas estão a sentir por nós”.

Para a jovem “a diferença de comportamento” das pessoas quando foram acolhidas na Polónia e como se sentem agora e o olhar de agradecimento, inspiram-na a continuar no mundo das missões. Diana Duarte considera que estas experiências “não são para todas as pessoas”, porque é preciso “controlar” os sentimentos e ser o “suporte” do outro. “Os sentimentos estão à flor da pele, mas não conseguimos ajudar toda a gente e temos de estar conscientes disso”.

No dia em que se assinala o Dia Internacional das Mulheres, a jovem deixa uma mensagem de igualdade, porque “estas mulheres vão ter de ser pai e mãe, mas os homens que lá ficaram a lutar também são muito fortes”.

A jovem encara este resgate como “o primeiro passo”, mas no futuro “tem de haver uma continuação do trabalho”.