De acordo com os dados revelados esta terça-feira, dia 10 de março de 2026, este crime tem vindo a intensificar-se, passando de 86 ocorrências no primeiro ano do período em análise para um pico de 339 situações reportadas recentemente. Esta tipologia de crime atinge de forma desproporcional a população mais velha, sendo que 79% das vítimas têm mais de 70 anos e a maioria (65%) são homens.
O "modus operandi" da extorsão imediata
O enredo utilizado pelos burlões assenta na simulação de um embate ou atropelamento com o intuito de coagir o condutor a entregar quantias monetárias no imediato. Geralmente, a abordagem ocorre em parques de estacionamento de grandes superfícies comerciais durante manobras de marcha-atrás. O suspeito alega que a vítima embateu na sua viatura ou provocou danos físicos e materiais, como a quebra de óculos ou telemóveis, que na realidade já se encontravam danificados antes da interação. Para credibilizar a situação, os burlões chegam a simular dores físicas ou realizam chamadas telefónicas fictícias para oficinas e operadoras de comunicações, fingindo obter orçamentos de reparação que servem de base para o valor exigido à vítima.
A pressão exercida sobre os condutores é constante, recorrendo-se à manipulação psicológica e, em casos mais graves, à intimidação ou ameaça física. A PSP detetou também o uso de métodos modernos de pagamento, com autores a apresentarem terminais de pagamento automático (TPA) para garantir o recebimento imediato do dinheiro, sob o pretexto de evitar o acionamento dos seguros e agilizar o processo. Em certas ocasiões, as vítimas são seguidas após iniciarem a marcha, sendo forçadas a imobilizar o veículo através de sinais de luzes ou gestos sonoros por parte dos criminosos.
Recomendações de segurança das autoridades
Perante este cenário, a Polícia de Segurança Pública recomenda que, em qualquer situação que envolva danos materiais ou físicos decorrentes de um alegado acidente, os cidadãos contactem imediatamente as autoridades para a elaboração do auto de notícia. É fundamental que os condutores nunca cedam à pressão para pagamentos no local e que evitem tratar o assunto sem a presença da polícia ou sem o preenchimento da declaração amigável.
Adicionalmente, as autoridades aconselham os condutores a não pararem a marcha caso recebam sinais de luzes ou sinais sonoros suspeitos de viaturas desconhecidas enquanto circulam. O reforço da atenção junto de pessoas em situação de vulnerabilidade, quer pela idade ou fragilidade económica, é considerado essencial para mitigar este tipo de criminalidade que explora o receio e o sentido de responsabilidade dos cidadãos mais idosos.
