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Matosinhos
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Praia de Matosinhos em risco de perder estatuto de zona balnear devido à poluição

A Agência Portuguesa do Ambiente aguarda medidas imediatas da autarquia. A decisão final será tomada em abril, após o fim da consulta pública.

Redação

A praia de Matosinhos, no distrito do Porto, encontra-se em risco de não ser considerada zona balnear, sendo atualmente a única das 370 praias de Portugal Continental nesta situação.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) revelou que aguarda a implementação de medidas imediatas por parte da Câmara Municipal para minimizar os elevados valores de poluição registados.

Saúde Pública e Interdições

A situação coloca em causa a saúde pública num dos areais mais concorridos do país, que chega a receber 14.000 utentes por dia durante o verão. Na última época balnear, a praia de Matosinhos esteve interditada 18 vezes devido a episódios de poluição.

Prazos e Decisão

José Pimenta Machado, presidente do conselho diretivo da APA, adiantou que o processo de consulta pública decorre até ao dia 2 de fevereiro, estando a decisão final agendada para abril. O responsável alertou que, "se essas medidas não forem suficientes, então pode ser um areal que não vai ser praia balnear". Para a próxima semana está marcada uma reunião entre a APA e a autarquia, liderada por Luísa Salgueiro, para avaliar a situação. Contactada sobre o assunto, a Câmara Municipal de Matosinhos remeteu esclarecimentos para a APA.

Causas da Poluição

Estudos realizados atestam a falta de qualidade da água e das ribeiras que desaguam na praia, com destaque para a Ribeira da Riguinha, que "condiciona muito a qualidade da praia". Foram identificadas 800 ligações ilegais oriundas desta ribeira. Além disso, a presença de gaivotas é outro fator que afeta negativamente a qualidade balnear.

Adriano Bordalo e Sá, investigador do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), cuja equipa monitorizou a água com recolhas a cada 30 minutos nos últimos dois verões, explicou que as bactérias presentes podem causar problemas de saúde. Nos grupos mais vulneráveis, os efeitos podem incluir diarreias e problemas de pele, olhos e ouvidos.

Medidas em Curso

Para tentar reverter o cenário, estão previstos vários projetos e intervenções:

  • Um projeto da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto focado na ribeira da Riguinha;

  • Uma intervenção na Avenida D. Afonso Henriques, agendada para o próximo mês, visando o saneamento e a eliminação de ligações ilegais;

  • Projetos camarários para a zona de Real.