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Marco de Canaveses
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Alexandre Moreira regressa a Fátima após promessa: "Parece sempre a primeira vez"

Alexandre Moreira, agente da PSP, volta este ano a caminhar até Fátima como peregrino, depois de anos entre funções de apoio e peregrinação. A ligação ao santuário nasceu em 2002, após um grave acidente, e mantém-se como expressão de fé, agradecimento e superação pessoal.

Redação

Alexandre Moreira, agente da PSP natural de Sande e São Lourenço do Douro, volta este ano a caminhar até Fátima como peregrino, depois de vários anos em funções de apoio a grupos organizados. A ligação ao santuário nasceu em 2002, na sequência de um grave acidente, e mantém-se como expressão de fé, agradecimento e superação pessoal.

A primeira peregrinação surgiu após um episódio marcante vivido no início dos anos 2000. Uma bateria de automóvel rebentou e o ácido atingiu-lhe os olhos, provocando ferimentos graves e deixando-o praticamente cego de forma temporária. Perante a gravidade da situação, fez uma promessa que acabaria por mudar a sua relação com Fátima.

“Foi uma promessa minha mesmo”, recorda, explicando que a experiência reforçou a dimensão espiritual que mantém até hoje.

Ao longo dos anos, Alexandre participou em diferentes contextos. Em algumas ocasiões caminhou como peregrino, noutras integrou equipas de apoio logístico e assistência. Este ano decidiu regressar ao caminho com esse espírito, conciliando também o acompanhamento ao grupo com que segue viagem.

“As promessas têm que ser cumpridas o mais possível”, afirma, sublinhando a importância do compromisso pessoal associado à peregrinação.

Mais do que um momento de pedido, a caminhada tornou-se também um gesto de agradecimento. Alexandre refere que regressa muitas vezes para agradecer pela família, pelos amigos e pela saúde, valores que considera essenciais.

A dimensão espiritual cruza-se, porém, com a exigência física. O percurso até Fátima é duro e obriga a esforço, resistência e capacidade mental. “Não há ninguém que chegue a Fátima que não sofra um bocadinho”, reconhece.

Ainda assim, destaca o espírito de entreajuda que se cria entre peregrinos, mesmo entre pessoas que não se conhecem. “Há sempre alguém ao lado que nos dá apoio”, refere.

Promessa feita após acidente

A chegada ao Santuário de Fátima continua a ser, para si, um momento especial. Apesar de já o ter vivido várias vezes, garante que a emoção permanece intacta.

“Ainda hoje parece a primeira vez. Aquilo é um espaço especial, onde nos tornamos mais livres e mais fortes”, afirma.

Alexandre considera também que as peregrinações evoluíram muito nos últimos anos. Recorda tempos em que os grupos dispunham de poucos meios e quase nenhum apoio estruturado. Atualmente, a realidade é diferente, com equipas preparadas para responder às necessidades dos participantes.

“Hoje os grupos estão muito mais organizados. Há apoio médico, enfermeiros, massagistas e até psicólogos”, observa.

Caminhar em grupo

Atualmente integra um grupo de cerca de 300 peregrinos de Amarante, acompanhado por uma equipa responsável pela logística, alimentação e assistência ao longo do percurso.

“O nosso lema é caminharmos juntos. Chegamos juntos, sofremos juntos, convivemos juntos”, resume.

Quando questionado sobre o que diria a quem pondera fazer a caminhada, Alexandre não hesita: “Recomendo. Mas isto não se descreve, tem que se sentir.”

Para o agente da PSP, a peregrinação deixa ainda uma lição de simplicidade. Ao longo do caminho, percebe-se que muitas das necessidades do quotidiano são relativas e que é possível viver com menos, valorizando mais o essencial.