Alexandre Moreira, agente da PSP natural de Sande e São Lourenço do Douro, volta este ano a caminhar até Fátima como peregrino, depois de vários anos em funções de apoio a grupos organizados. A ligação ao santuário nasceu em 2002, na sequência de um grave acidente, e mantém-se como expressão de fé, agradecimento e superação pessoal.
A primeira peregrinação surgiu após um episódio marcante vivido no início dos anos 2000. Uma bateria de automóvel rebentou e o ácido atingiu-lhe os olhos, provocando ferimentos graves e deixando-o praticamente cego de forma temporária. Perante a gravidade da situação, fez uma promessa que acabaria por mudar a sua relação com Fátima.
“Foi uma promessa minha mesmo”, recorda, explicando que a experiência reforçou a dimensão espiritual que mantém até hoje.
Ao longo dos anos, Alexandre participou em diferentes contextos. Em algumas ocasiões caminhou como peregrino, noutras integrou equipas de apoio logístico e assistência. Este ano decidiu regressar ao caminho com esse espírito, conciliando também o acompanhamento ao grupo com que segue viagem.
“As promessas têm que ser cumpridas o mais possível”, afirma, sublinhando a importância do compromisso pessoal associado à peregrinação.
Mais do que um momento de pedido, a caminhada tornou-se também um gesto de agradecimento. Alexandre refere que regressa muitas vezes para agradecer pela família, pelos amigos e pela saúde, valores que considera essenciais.
A dimensão espiritual cruza-se, porém, com a exigência física. O percurso até Fátima é duro e obriga a esforço, resistência e capacidade mental. “Não há ninguém que chegue a Fátima que não sofra um bocadinho”, reconhece.
Ainda assim, destaca o espírito de entreajuda que se cria entre peregrinos, mesmo entre pessoas que não se conhecem. “Há sempre alguém ao lado que nos dá apoio”, refere.
