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Amarante
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O "fogo bom" que protege o Marão e alimenta o gado no inverno

Enquanto o verão não chega, as equipas do ICNF aproveitam as janelas de tempo seco para intervir na Serra do Marão. O objetivo é duplo: criar "mosaicos" de vegetação que travam o avanço de grandes incêndios e renovar as pastagens para as vacas maronesas que percorrem a montanha.

Redação

Esta semana, as encostas de Amarante foram palco de várias ações de fogo controlado. Com a humidade relativa a rondar os 30% e um vento seco favorável, os técnicos do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), apoiados por sapadores florestais e pela GNR, executaram queimas planeadas em parcelas estratégicas.

"Isto serve de mosaico para retirar carga à paisagem e servir de zona de oportunidade de combate se ocorrer um incêndio no verão", explica Artur Borges, técnico do ICNF que liderou as operações no Marão. Além da gestão do combustível (mato), estas ações funcionam como o "melhor treino" para os operacionais que, daqui a poucos meses, estarão na linha da frente do combate aos fogos florestais.

Até ao momento, a campanha 2025/26 já permitiu intervir em 800 hectares na região Norte, dos quais cerca de metade se concentram nas serras do Marão e do Montemuro. Miguel Gonçalves, diretor regional adjunto do ICNF Norte, sublinha que este trabalho é complementado pela rede primária de faixas de gestão de combustível, que já soma mais de 8.000 hectares instalados desde 2020.

O aliado dos pastores de Canadelo

Para quem vive da terra, como José Teixeira, produtor de vacas maronesas em Canadelo, Amarante, o fogo controlado é uma questão de sobrevivência económica. Com um efetivo de 20 animais que pastam livremente pela serra, a renovação do coberto vegetal é essencial.

"É a diferença entre estar aberto ou estar fechado", confessa o produtor à Lusa. "Se estivesse a alimentá-las diariamente [no estábulo], era impossível ser produtivo. Elas são autónomas e só assim o negócio funciona."

O planeamento destas áreas é feito em estreita colaboração com os pastores locais, tentando conciliar a estratégia de defesa da floresta com as necessidades de alimentação do gado, promovendo assim a fixação de pessoas em zonas de montanha.

Sendo o Marão uma zona inserida na Rede Natura 2000, as queimas são rigorosamente monitorizadas. O calendário de intervenções, que termina entre o final de março e meados de abril, respeita não só as condições meteorológicas, mas também os ciclos de reprodução das espécies e a preservação dos valores ambientais da serra.