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Lousada
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Festival de Camélias em Lousada bate recordes, coroa vencedores e impulsiona turismo na região

A Praça das Pocinhas é, por estes dias, a capital das camélias. O fim de semana em Lousada está a ser marcado por mais uma edição de grande sucesso do Festival Internacional de Camélias, um evento que alia a beleza floral ao impulso económico e turístico.

 O certame já premiou os melhores exemplares de 2026 e tem ainda as portas abertas durante a tarde deste domingo para quem quiser visitar o mercado e participar nas várias atividades culturais programadas.

Na cerimónia oficial, que decorreu no sábado, 21 de fevereiro, e onde marcaram presença entidades de relevo como Fernando Guedes (presidente da Associação Portuguesa dos Jardins e Sítios Históricos), a entrega de prémios foi um dos momentos mais aguardados. O júri avaliou os exemplares em exposição e distinguiu o cuidado, a origem e a perfeição das flores.

Os vencedores do Concurso das Camélias foram:

  • Melhor Camélia de origem Portuguesa: Viveiro Mário Mota (camélia japonica 'Duarte de Oliveira');

  • Melhor Camélia de origem Japónica: Rodrigo Leitão (camélia japonica 'Tama Real');

  • Melhor Camélia Reticulata/Híbrida: Isabel Pazos (camélia 'Nicky Crisp');

  • Melhor Ornamentação de mesa/Arranjo floral: Pilar Bargiela;

  • Melhor Camélia de Lousada: António Nunes e Eduardo Brandão (camélia Sasanqua 'Plantation Pink').

"Um projeto âncora" com crescimento recorde

Nelson Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Lousada, fez um balanço muito positivo destas mais de década e meia de aposta do município. "São 16 anos de uma contínua evolução e que tem suscitado o interesse de muitas pessoas, não só da região, mas também estrangeiros. Ainda hoje [sábado] tivemos aqui expositores e visitantes de Espanha", revelou o autarca.

Destacando a importância deste evento para a economia local no inverno, Nelson Oliveira partilhou dados animadores: "Com os dados que foram conhecidos pela entidade de Turismo do Porto e Norte, o incremento do turismo em Lousada no último ano foi mais do dobro da média nacional. Tem tido uma importância tremenda para nós (...), conseguimos ter aqui um movimento marcante nesta área, um projeto âncora que pretendemos desenvolver para o futuro".

O edil municipal destacou ainda a panóplia de atividades associadas, como os fins de semana gastronómicos, os passeios pelos jardins e os concertos do Conservatório do Vale do Sousa, bem como a "diversidade dos expositores". Questionado sobre as sinergias com o município de Celorico de Basto, também famoso por esta flor, foi perentório: "Queremos aprender com os bons exemplos, com esta criação de sinergias entre uns e outros para cada vez catapultarmos mais este tipo de iniciativas".

No futuro, a camélia será cada vez mais uma "marca" de Lousada, associada não só à economia (licores, vinhos), mas também à cultura e ao desporto.

O combate à sazonalidade e os 15 milhões de dormidas

Do lado do Turismo do Porto e Norte de Portugal, o vice-presidente Cancela Moura enalteceu a capacidade deste festival em atrair visitantes numa época habitualmente mais fraca. "Estamos um bocadinho em contraciclo com a época média-baixa do turismo, o que contribui em larga escala para o combate à sazonalidade e o impacto que isto pode ter na própria economia local", sublinhou.

Para Cancela Moura, o turismo associado às camélias é uma "forma emergente" que acrescenta valor ao turismo tradicional, pois os novos visitantes "gostam de vivenciar experiências únicas e viver o espírito dos lugares: como vivem as pessoas, como se produz, como se planta uma camélia...". Este interesse serve também de incentivo à sustentabilidade e à requalificação das propriedades privadas: "Será um desafio para os proprietários de muitos dos jardins e quintas poderem requalificá-las, fazer a manutenção e serem um outro foco de visita".

O responsável referiu ainda que iniciativas como esta dão um contributo essencial para o momento histórico que a região atravessa. "2025 foi o maior ano de sempre para o turismo da região. Lousada e todo o Vale do Sousa têm contribuído para isso. Atingir 15 milhões de dormidas é absolutamente fundamental, 7 milhões e meio de turistas e, mais importante que isso (...) termos atingido 1 milhão e 200 mil euros de proveitos só no setor hoteleiro é um grande desafio", rematou.

O fascínio oriental e os 500 anos de história em Portugal

Para contextualizar a importância botânica e histórica do evento, Eduarda Paz, diretora da Sociedade Internacional de Camélias e representante da Associação Portuguesa de Camélias, sublinhou que já existem oito locais no país a usar a flor para certames deste género.

A especialista fez uma viagem no tempo até à época dos Descobrimentos: "Quando os portugueses chegaram ao Japão, em 1543, aportaram a florestas de camélias selvagens (...) Os portugueses foram os primeiros a trazer camélias para a Europa, pelo menos encontramos motivos decorativos de camélias em muito mobiliário e na arte Namban".

A diretora explicou que a camélia assume "seis formas diferentes, desde a singela à formal dobrada", sendo alvo de um enorme fascínio no século XIX. "Foi o grande boom das camélias em toda a Europa e Portugal não ficou de fora. Existem cerca de 400 novas camélias que foram criadas em Portugal nessa altura", detalhou.

Por fim, Eduarda Paz reforçou o seu imenso potencial turístico: "As camélias japónicas florescem entre janeiro e março. Portanto, numa altura em que há pouca diversidade de flor nos jardins, temos aqui com esta vasta coleção de camélias um produto muito ativo que, no inverno, poderia ser o mote para visitar Portugal".

Agenda de domingo: Ainda vai a tempo de visitar

Após uma manhã que contou com a "Rota das Camélias LousadaBTT", visitas guiadas e oficinas de cerâmica, o Mercado das Camélias continua de portas abertas na Praça das Pocinhas até às 19h00 de hoje.

Ainda vai a tempo de aproveitar as propostas da tarde:

  • 13h00: Almoço livre pelos restaurantes aderentes ao fim de semana gastronómico de Lousada;

  • 14h30: Passeio pelos Jardins de Camélias (Casa Cimo de Vila – Sousela, Casas do Souto – Macieira, Casa do Rio – Torno), com autocarro gratuito e ponto de encontro na Loja Interativa de Turismo (sujeito ao limite de inscrições);

  • 15h00: Animação itinerante nas ruas com o grupo "Persil Noir";

  • 16h00: Espetáculo de teatro "Romeu e Julieta", pela Jangada Teatro, no Auditório Municipal;

  • 19h00: Encerramento do evento.