Para o chefe de Estado, a liberdade é o fundamento da democracia, assumindo a imprensa a "obrigação de incomodar".
Neste domingo, 3 de maio, assinala-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Para marcar a data, o Presidente da República, António José Seguro, emitiu uma nota onde defende o papel essencial do jornalismo como pilar da democracia, deixando um sério alerta para o agravamento das ameaças à classe a nível global.
Para o chefe de Estado, a liberdade é o fundamento da democracia, assumindo a imprensa a "obrigação de incomodar".
Na nota divulgada pela presidência, António José Seguro descreve a imprensa livre como um verdadeiro "contrapoder" que não se deve vergar a facilitismos.
"Uma voz que questiona, que investiga, que não se dobra ao poder nem se rende ao aplauso fácil. Uma voz fundamentada, independente e, quando necessário, incómoda. É precisamente essa a sua função. É precisamente por isso que é insubstituível."
Apesar da importância do setor, o cenário internacional revela uma regressão preocupante, contrariando as expectativas de progresso nas democracias. O Presidente da República destacou o número trágico de 129 jornalistas e profissionais da comunicação social assassinados no mundo durante o ano passado, frisando de forma categórica que este número "não é uma estatística. É uma acusação".
Para além da violência física e direta, o chefe de Estado elencou outras ameaças "igualmente corrosivas" que fragilizam o ecossistema de informação:
A regressão democrática e a pressão de regimes autoritários sobre os meios independentes;
A precariedade económica das redações;
A elevada concentração da propriedade dos meios de comunicação;
A disseminação em massa de desinformação.
No que toca à proliferação de notícias falsas e desinformação, António José Seguro deixou um aviso ao próprio setor, alertando que este fenómeno acaba muitas vezes por seduzir "os próprios media que deveriam ser o seu antídoto".
O Presidente lamenta que a verdade tenha de disputar espaço com o espetáculo, num contexto onde o "circo mediático" capta frequentemente mais atenção do que o jornalismo rigoroso e de investigação.
Concluindo a sua mensagem, o chefe de Estado apelou à sociedade civil, defendendo que a proteção da liberdade de imprensa não é apenas um dever dos jornalistas ou das empresas do setor, mas sim uma "responsabilidade coletiva e uma prioridade de cidadania".
A mensagem da Presidência da República terminou com um apelo à reflexão geral: "Quando uma voz jornalística se cala por medo, por impossibilidade económica ou por captura, não é apenas ela que perde. Perdemos todos."