Em causa estão alegadas irregularidades na contratação de serviços, num processo de responsabilidade financeira requerido pelo Ministério Público (MP).
O presidente e vários membros do conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) de Santo António, no Porto, vão a julgamento no Tribunal de Contas no próximo mês de abril.
Em causa estão alegadas irregularidades na contratação de serviços, num processo de responsabilidade financeira requerido pelo Ministério Público (MP).
Segundo a agência Lusa, que cita a página oficial do tribunal, a audiência de julgamento está agendada para o dia 22 de abril, às 09h30.
Os elementos que serão julgados neste processo são:
Paulo Barbosa, presidente da ULS;
José Barros, diretor clínico;
Beatriz Duarte e Rita Veloso, vogais executivas;
Alfredo Alves, antigo enfermeiro-diretor.
Este julgamento surge na sequência da análise do Ministério Público a um relatório da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS). O processo inspetivo arrancou a 3 de agosto de 2023, motivado por uma denúncia sobre alegadas ilegalidades nas regras de contratação pública na instituição portuense.
O relatório final da IGAS, homologado a 28 de março de 2025, confirmou a existência de irregularidades e violações do Código dos Contratos Públicos na formação e execução de um contrato de aquisição de serviços.
De acordo com a Lusa, a inspeção apontou várias não conformidades graves no procedimento avaliado. A IGAS destacou, nomeadamente:
A ausência de fundamentação da urgência para se recorrer ao método de ajuste direto;
A falta de justificação para o valor do contrato estabelecido;
A não elaboração de peças obrigatórias do procedimento (como o convite à apresentação das propostas e o caderno de encargos);
A inexistência de qualquer fundamentação ou registo documental sobre a decisão de contratar e a escolha daquele procedimento específico.
Para corrigir estas falhas, a IGAS formulou três recomendações à ULS Santo António, exigindo o cumprimento integral das regras de contratação pública. A verificação da implementação destas medidas, assinalou a entidade, "ainda se encontra em curso".