O alerta foi dado pelo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), general José Nunes da Fonseca, em entrevista ao jornal Público.
Portugal necessita de recrutar mais 8 mil militares para cumprir o objetivo legal de um efetivo de 32 mil nas Forças Armadas, enfrentando simultaneamente carências nas suas defesas antiaéreas.
O alerta foi dado pelo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), general José Nunes da Fonseca, em entrevista ao jornal Público.
Falta de efetivos e projeção futura
O CEMGFA sublinha que, para atingir o atual objetivo de 32 mil militares, "faltam cerca de sete, oito mil". No entanto, a estimativa de recursos humanos para os próximos 20 anos aponta para a necessidade de chegar "muito próximo dos 35, 36 mil".
José Nunes da Fonseca justifica este aumento com as novas capacidades que estão a ser desenvolvidas: "São muito significativas, muito tecnológicas e, sobretudo, carecem de pessoas. Não podemos adquirir equipamentos e depois não ter pessoas para os operar".
O general reconhece que, embora exista "capacidade de defesa a baixas altitudes", Portugal está vulnerável "a médias e altas altitudes", uma situação que compara à da Ucrânia e da "maior parte dos países da NATO".
No plano financeiro, o conselheiro militar do ministro da Defesa estima serem precisos 67 mil milhões de euros apenas em equipamento nas próximas duas décadas, o equivalente a "3.500 milhões de euros por ano". O CEMGFA lamentou que a atual Lei de Programação Militar (LPM) tenha ficado muito aquém das necessidades:
"Houve que fazer opções. A atual LPM, no seu conjunto global, são 5.570 milhões de euros. Mas os cálculos iniciais [...] eram cerca de 11.000 milhões de euros. Portanto, cerca de metade das necessidades das Forças Armadas ficaram por colmatar".
Missões e Cidadania
Atualmente, Portugal tem 808 militares em missões no estrangeiro, sendo que ao longo deste ano terão passado "mais de 3.000 militares" por teatros de operações externos.
Sobre o recrutamento e a sociedade, José Nunes da Fonseca considera ter sido "um retrocesso ou uma distração" a saída das temáticas da segurança e da Defesa dos currículos escolares, nomeadamente na disciplina de Cidadania. O general defende ser necessário "realimentar nos nossos jovens a obrigatoriedade de defender Portugal", referindo-se ao fim do serviço militar obrigatório, formalmente terminado em 2004 (decidido em 1999 pelo governo de António Guterres).
Programa SAFE e novos investimentos
Paralelamente, o Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, anunciou na quarta-feira os detalhes da candidatura portuguesa aos empréstimos europeus do programa SAFE, aprovada em Conselho de Ministros no dia 28, no valor de 5,8 mil milhões de euros.
Segundo o governante, o investimento será direcionado para:
Aquisição de fragatas;
Recuperação do Arsenal do Alfeite;
Sistemas antiaéreos;
Artilharia de campanha e munições;
Veículos médios de combate e viaturas estáticas;
Satélites;
Produção de drones (projeto liderado por Portugal).