Em paralelo com o aumento de voos, os atrasos atribuíveis à gestão de tráfego aéreo registaram uma redução significativa de 18%.
O tráfego aéreo gerido pela NAV Portugal registou um valor histórico em 2025, alcançando os 913 mil movimentos. Este número representa um crescimento de 5% face ao ano anterior, superando as previsões do Eurocontrol.
Em paralelo com o aumento de voos, os atrasos atribuíveis à gestão de tráfego aéreo registaram uma redução significativa de 18%.
O presidente da NAV Portugal, Pedro Ângelo, revelou em entrevista à agência Lusa que o recorde abrange as duas regiões de informação de voo (FIR) sob responsabilidade nacional: Lisboa e Santa Maria (Açores). Estas regiões incluem não só as aterragens e descolagens em aeroportos portugueses, mas também os sobrevoos, nomeadamente no corredor Atlântico.
Apesar da maior pressão sobre o sistema, a redução de 18% nos atrasos (em rota e terminal) foi possível graças a um conjunto de fatores estratégicos:
Reforço de meios humanos: Aumento do pessoal técnico e operacional;
Reorganização interna: Melhorias na estrutura de trabalho e coordenação;
Investimento tecnológico: Implementação de sistemas de ponta para a gestão de fluxos.
Um dos pilares para a melhoria do desempenho, particularmente no aeroporto de Lisboa, foi a consolidação do ‘point merge system’. Este sistema de sequenciação de chegadas permite organizar a aproximação das aeronaves de forma mais eficiente e linear, otimizando o tempo de voo e reduzindo o impacto dos atrasos na fase de terminal.
A NAV está a preparar aquela que Pedro Ângelo classifica como “a maior alteração do espaço aéreo” dos próximos anos. O plano prevê uma profunda reorganização estrutural, incluindo a criação de novos setores de controlo em rota para responder à tendência de crescimento contínuo do tráfego.
Contudo, o responsável da NAV alertou para as limitações físicas do sistema nacional, focando-se no principal aeroporto do país:
Capacidade Crítica: O Aeroporto de Lisboa opera muito próximo do seu limite;
Infraestrutura: A existência de uma única pista é apontada como o principal entrave a um desempenho operacional ainda superior.
Mesmo perante estes desafios, a expectativa da gestora de tráfego aéreo é de que Portugal continue a superar as metas de crescimento internacionais, mantendo a competitividade no contexto europeu.