A nova semana traz um agravamento acentuado nos postos de abastecimento, com o gasóleo a liderar as subidas, num momento em que a União Europeia alerta para possíveis perturbações no fornecimento devido ao conflito no Médio Oriente.
Atestar o depósito volta a ficar mais caro em Portugal a partir desta segunda-feira, 6 de abril.
A nova semana traz um agravamento acentuado nos postos de abastecimento, com o gasóleo a liderar as subidas, num momento em que a União Europeia alerta para possíveis perturbações no fornecimento devido ao conflito no Médio Oriente.
De acordo com as estimativas da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC), apuradas após o fecho dos mercados na última sexta-feira e tendo já em conta os descontos do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) publicados pelo Governo, o aumento será generalizado.
O gasóleo vai registar uma subida de 9 cêntimos por litro, enquanto a gasolina deverá encarecer cerca de 4 cêntimos por litro. Ambos os valores já incluem a totalidade da carga fiscal aplicável (IVA e ISP).
A autarquia reguladora relembra, no entanto, que o mercado de combustíveis em Portugal é livre. Como tal, cada marca e posto de abastecimento tem total autonomia para praticar o preço que entender, servindo estas previsões apenas como um indicador de tendência para os consumidores.
Aumentos acumulados desde março
O encarecimento desta semana vem agravar uma trajetória de forte subida sentida no último mês. Segundo os dados oficiais da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), desde o passado dia 8 de março, os preços acumularam aumentos bastante expressivos:
O gasóleo simples subiu aproximadamente 44 cêntimos por litro.
A gasolina 95 aumentou cerca de 20 cêntimos por litro.
A escalada de preços coincide com os avisos deixados esta semana pela Comissão Europeia, que alertou os Estados-membros para uma "potencial perturbação prolongada" no setor energético europeu, em resultado da instabilidade e do conflito armado no Médio Oriente.
Face a este cenário, Bruxelas defende a implementação urgente de medidas para a redução da procura de petróleo e apela a um consumo mais moderado de combustíveis em todo o bloco. Numa carta enviada aos governos europeus, o comissário da Energia, Dan Jørgensen, instou os países a assegurarem "uma boa coordenação" e a focarem-se na "promoção de medidas de redução da procura, com especial atenção ao setor dos transportes".
"A segurança do abastecimento da União Europeia continua garantida, mas temos de estar preparados para uma potencial perturbação prolongada do comércio internacional de energia. É por isso que precisamos de agir já e precisamos de agir em conjunto, como uma verdadeira União", referiu o comissário europeu.
Para além da redução do consumo, a Comissão Europeia apelou aos Estados-membros para que se abstenham de adotar políticas que possam fazer aumentar a procura de combustíveis, que limitem a livre circulação de produtos petrolíferos no espaço europeu ou que desincentivem a capacidade de produção das refinarias da UE. Foi ainda recomendado que qualquer medida nacional seja previamente consultada com os países vizinhos e com a própria Comissão, salvaguardando a coerência e o funcionamento do mercado interno.