A história de Cláudia Vieira mudou no início de 2024. Ao realizar a autopalpação, sentiu um pequeno caroço e percebeu que algo não estava bem. Na altura com 47 anos, procurou respostas imediatas. Em março desse ano, realizou uma ecografia mamária que revelou um nódulo com cerca de dois centímetros, classificado inicialmente como um quisto de conteúdo líquido espesso, sendo-lhe recomendada apenas vigilância e repetição do exame seis meses depois.
No entanto, o conhecimento do próprio corpo falou mais alto. Ao longo dos meses seguintes, a marcoense apercebeu-se de que o nódulo continuava a aumentar e notou o surgimento de um segundo caroço. O sinal de alarme definitivo surgiu em frente ao espelho, ao levantar os braços, quando detetou uma pequena retração em forma de covinha na lateral da mama direita. Antecipar os exames tornou-se prioridade, mas a escassez de vagas na rede de saúde atrasou o agendamento até 19 de outubro de 2024, cerca de sete meses após a primeira avaliação.
Nesse mesmo dia, a gravidade da situação confirmou-se com a realização imediata de uma biópsia. O diagnóstico revelou um carcinoma lobular invasor pleomórfico, um cancro da mama de tipo hormonal cujas células se alimentavam de estrogénio e progesterona, apresentando um índice Ki-67 entre os 30 e os 40 por cento, demonstrativo de uma elevada taxa de proliferação celular. O teste genético indicou ainda que a doente é portadora da mutação BRCA2, fator de elevada predisposição para este tipo de neoplasia. Os exames de estadiamento mostraram que o nódulo principal na mama direita atingira 3,5 centímetros, acompanhado por outro de 1,9 centímetros, enquanto a mama esquerda apresentava uma área afetada de cinco centímetros, com múltiplos pequenos nódulos, sem evidência de metastização noutros órgãos.
