Com um diagnóstico tardio que só chegou aos 31 anos, após ouvir repetidamente de médicos e familiares que a sua dor "era normal", Sofia partilha a dura realidade de viver com endometriose, varizes no útero e cistos.
A maior dificuldade no combate à endometriose começa, quase sempre, na invisibilidade dos seus sintomas. Por serem pouco específicos, o diagnóstico é frequentemente demorado, roubando anos de qualidade de vida a quem dela padece. A história de Sofia Martins, natural de Paços de Ferreira, é o espelho exato dessa estatística.
Os primeiros sinais de que algo não estava bem surgiram na juventude. "Com 18 anos, ou mais ou menos, eu tinha muito período, muita menstruação. Então, sempre achei estranho. Além disso, sempre tive muitos cistos", recorda. A intensidade das perdas de sangue foi de tal ordem que as consequências físicas não se fizeram esperar. "Houve uma altura em que estive quase a ganhar anemia, porque tive muita perda de sangue e sempre tive muitas dores", relata. A resposta que encontrava nos consultórios, contudo, esbarrava numa desvalorização sistemática: "Eles sempre me disseram que era natural."
Ao longo de mais de uma década, os sintomas agravaram-se. A partir dos 17 e 18 anos, a dor tornou-se uma sombra constante e os ciclos menstruais chegaram a assumir proporções extremas, ao ponto de chegar a ter "um mês inteiro sempre com o período".

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