Os dados foram revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) nesta sexta-feira, 24 de abril.
O custo da habitação em Portugal continuou a bater recordes em 2025. O preço mediano dos alojamentos familiares transacionados atingiu os 2.076 euros por metro quadrado (€/m2), o que representa um aumento acentuado de 16,8% face a 2024.
Os dados foram revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) nesta sexta-feira, 24 de abril.
Ao longo de 2025, foram realizadas 164.677 vendas de casas no país. De acordo com o INE, 56 municípios apresentaram um preço mediano superior à média nacional, concentrando-se quase exclusivamente no litoral e nos grandes centros urbanos.
A Grande Lisboa e o Algarve continuam a liderar a tabela das zonas mais caras do país, com diferenciais de preços entre municípios que chegam a superar os 2.000 €/m2.
As cinco sub-regiões com o preço mediano mais elevado foram:
Grande Lisboa: 3.439 €/m2
Algarve: 3.139 €/m2
Península de Setúbal: 2.596 €/m2
Região Autónoma da Madeira (RAM): 2.500 €/m2
Área Metropolitana do Porto (AMP): 2.305 €/m2
No que diz respeito aos municípios, a capital mantém o topo da tabela, seguida pela linha de Cascais e pelos principais destinos algarvios.
| Top 5 Municípios mais caros | Preço Mediano (€/m2) |
| Lisboa | 4.875 € |
| Cascais | 4.550 € |
| Oeiras | 4.187 € |
| Loulé | 3.993 € |
| Lagos | 3.801 € |
No extremo oposto da tabela, mas olhando apenas para os 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, Guimarães registou o menor preço mediano na compra de alojamentos novos (1.695 €/m2).
Ainda no grupo dos grandes concelhos do país, o município de Lisboa liderou o volume de vendas com 8.235 transações, seguindo-se Sintra (6.363), Vila Nova de Gaia (5.494) e Porto (4.503).
O relatório do INE sublinha o fosso entre o poder de compra nacional e estrangeiro. Em Lisboa, o preço mediano pago por compradores com domicílio fiscal no território nacional foi de 4.813 €/m2, enquanto os compradores estrangeiros pagaram substancialmente mais: 6.026 €/m2.
Esta tendência de preços inflacionados pelo investimento externo repetiu-se em concelhos como Cascais, Oeiras e Porto, onde as transações superaram os 3.300 €/m2 para residentes em Portugal e dispararam para mais de 4.100 €/m2 no caso de compradores com domicílio no estrangeiro. O município de Loures destacou-se por apresentar o maior diferencial de preços entre os dois tipos de comprador (uma diferença de 1.382 €/m2).
A regra ditou que as casas novas fossem mais caras do que as usadas. Dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, 23 registaram preços medianos superiores na habitação nova (com Lisboa a apresentar o maior diferencial: 5.890 €/m2 nas novas contra 4.725 €/m2 nas existentes).
No entanto, houve uma exceção à regra nacional: a Amadora. Neste concelho, o preço mediano dos alojamentos existentes (3.014 €/m2) foi surpreendentemente mais caro do que o dos novos (2.756 €/m2).
A análise isolada aos últimos três meses de 2025 mostra que a escalada de preços coincidiu com um abrandamento nas vendas.
No 4.º trimestre, o preço mediano fixou-se nos 2.198 €/m2 (um aumento homólogo de 17,5%), mas o número de transações (41.789) representou uma queda de 5,3% em relação ao mesmo período de 2024. Neste trimestre final, os preços da habitação subiram em 24 das 26 sub-regiões NUTS III, tendo caído apenas no Alto Tâmega e Barroso (-12,1%) e na Madeira (-8,3%).